z-logo
open-access-imgOpen Access
QUESTÕES ACERCA DO DIAGNÓSTICO DA DEPRESSÃO E SUA RELAÇÃO COM O CAMPO MÉDICO E CIENTÍFICO
Author(s) -
Rogério Robbe Quintella
Publication year - 2017
Publication title -
psicologia argumento/psicologia argumento
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 1980-5942
pISSN - 0103-7013
DOI - 10.7213/rpa.v28i60.19913
Subject(s) - humanities , philosophy
Este trabalho visa a discutir, numa perspectiva crítica, alguns dos problemas relacionados ao diagnóstico psiquiátrico da depressão e suas implicações no campo médico e científico. Busca-se demonstrar que os últimos Manuais Psiquiátricos (CID-10 e DSM-IV) diluem importantes manifestações clínicas, como a melancolia, no diagnóstico da depressão; por outro lado, conforme se pode observar nos próprios Manuais, os sintomas dessa última entrecruzam-se com quase todas as outras psicopatologias. Verifica-se ali que a depressão se acha presente em um número extremado de transtornos, de maneira muito mais acentuada do que na relação cruzada de outras patologias entre si. Essas verificações levam a questionar o destaque dado à depressão nas classificações atuais, bem como sua prevalência no âmbito do diagnóstico médico. A apreensão do universo depressivo nos últimos Manuais revela um amplo procedimento que parte das pesquisas neuroquímicas para a distribuição nosográfica dos Transtornos Depressivos, o que se acha intimamente relacionado à psiquiatria biológica. Demonstra-se a precariedade dessa apreensão a partir da própria dificuldade de sustentação do pressuposto fisiopatológico da depressão, posto que as pesquisas nessa área não apontam de maneira definitiva uma relação de causalidade entre as alterações químicas e os sintomas depressivos. A inexistência de marcadores irrefutáveis para o pressuposto fisiopatológico da depressão leva-nos a questionar seu tratamento eminentemente químico. Por fim, procura-se discutir as implicações do discurso médico e científico no universo subjetivo, propondo que, associados ao campo midiático, esses discursos tendem a separar cada vez mais a patologia depressiva do universo subjetivo e mesmo cultural no qual ela se insere.

The content you want is available to Zendy users.

Already have an account? Click here to sign in.
Having issues? You can contact us here