
KAMEL, ALI. NÃO SOMOS RACISTAS: UMA REAÇÃO AOS QUE QUEREM NOS TRANSFORMAR NUMA NAÇÃO BICOLOR. RIO DE JANEIRO: NOVA FRONTEIRA, 2006. 143 P.
Author(s) -
Benalva da Silva Vitório
Publication year - 2007
Publication title -
revista de estudos da comunicação
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 1982-8675
pISSN - 1518-9775
DOI - 10.7213/rec.v8i16.14525
Subject(s) - humanities , physics , art
Por sugestão de um dos meus alunos do curso de Jornalismo, procedi à leitura do livro de Kamel, a fim de debater em sala de aula as implicações da política de cotas para negros no Brasil. Ao concluir a leitura, estava mais firme na minha posição contrária às cotas, mas revi a postura de não aceitar um dos dados no meu registro de nascimento: cor parda. Até então, ao assumir-me como negra, não considerava simplesmente a cor da minha pele, mas a minha ascendência africana e as limitações socioeconômicas em que sempre vivi. A negritude, portanto, funciona como exemplo de superação para alcançar o crescimento intelectual e, conseqüentemente, profissional. Para tanto, como defende o autor, há que se promover o ensino de qualidade no país, em todos os níveis da educação, a todos os brasileiros, independente da cor da pele e da condição econômica. A obra de Kamel, portanto, contribuiu para reiterar as minhas convicções a respeito das problemáticas levantadas, as quais consegui superar na trajetória de vida e de mundo. Em capítulos “coalhados de números”, o autor mostra, com clareza e de forma coerente, a importância de se interpretar os números. Demonstra com propriedade “como as estatísticas têm sido usadas de maneira enviesada, turvando um debate que devia ser cristalino: o nosso problema é a pobreza e não uma suposta desigualdade racial”.