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Objetos e matéria: em busca de uma possível fotograficidade singular
Author(s) -
Darci Raquel Fonseca
Publication year - 2019
Publication title -
contemporânea - revista do ppgart/ufsm
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 2595-5233
DOI - 10.5902/2595523341546
Subject(s) - humanities , art
Objetos & Matéria compreende uma série de fotografias realizadas com o telefone celular, dispositivo que, usado como meio de realização e busca de uma possível poética dos objetos do cotidiano, por estar sempre à mão, disponibiliza uma proximidade com o objeto da presente pesquisa. Uma experiência que leva a pensar a articulação deste objeto cultural sem arte, na esfera da arte contemporânea. É certo dizer que o telefone celular ocupa um lugar a não ser negligenciado na comunicação e em diversos projetos artísticos atuais. Observamos que sua função primeira, a comunicação pela fala, se comparada a de produção de imagens, é hoje largamente reduzida. A tecnologia digital oferece cada vez mais condições para que o aparelho móvel possa ser usado em diversas aplicações, entre elas, a da criação artística visual. É certo também que o utilizador do dispositivo móvel se confronta com a predeterminação científica de fabricação deste objeto cultural, demandando um entendimento de condição, para que se possa contorná-la e, por conseguinte, obter a fotograficidade desejada para a foto em realização, pois é neste processo que o trabalho é determinante para o resultado esperado. Pensando com Flusser, os objetos culturais foram organizados intencionalmente, e  cada um ajusta o olhar do fotógrafo em sua busca. Ainda com Flusser, o fotógrafo se esgueira entre os objetos, para evitar a intenção que neles se esconde, a fim de se emancipar de sua condição cultural. Na tentativa de transmutação dos objetos culturais da vida cotidiana para a cena artística, buscamos caminhos que os revelem mais surpreendentes do que belos. A mise en œuvre que articula os objetos sem arte no campo da arte visa uma articulação de suas realidades, a partir de conteúdos sensíveis que se encontram para além da materialidade que os constitui; esses objetos fotografados comportam algo da vida cotidiana que nos toca e que, de uma maneira ou de outra, nos  emociona. Conforme diz Edgar Morin, a fotografia corteja os sentimentos. Clarividente, ela se abre no invisível. Portanto, os objetos vistos, mais do que ver, nos fazem sentir o que a representação exalta visualmente como essência. Traço da realidade, a fotografia resulta de uma excepcional conjunção do real com elementos impalpáveis que emergem do ato de representação que a faz singular.

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