Mídia, patriarcado, capitalismo e a perpetuação da cultura do estupro
Author(s) -
Bruna Santiago Franchini
Publication year - 2021
Publication title -
simpósio gênero e políticas públicas
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 2177-8248
DOI - 10.5433/sgpp.2018v5.p207
Subject(s) - humanities , sociology , philosophy
A cultura do estupro, resumidamente, é um “complexo de crenças que encoraja a agressão sexual pelos homens e apoia a violência contra as mulheres” (BUCHWALD et al, 1993), de forma que se utiliza a violência sexual e a objetificação, principalmente, em prol da manutenção da supremacia masculina e das exploração e subordinação femininas. Uma das formas pelas quais esse fenômeno se manifesta é por meio de violência simbólica: representações misóginas de mulheres, reduzindo-as a meros objetos sexuais e/ou reforçando estereótipos de gênero (cuja existência, por si só, já é uma violência). A mídia, por sua vez, é uma das instituições sociais por meio das quais discursos e ideologias podem ser veiculados (THOMPSON, 1998; BRITTOS E GASTALDO, 2006). Sabendo desse potencial de difusão e de criação de uma hegemonia, grupos socialmente dominantes utilizam-na em busca da concretização de uma hegemonia cultural que garanta sua própria manutenção no poder (ANGELI, 2011); e uma vez que não há regulamentação estatal para garantir a distribuição democrática de espaços midiáticos entre os diversos setores e as diversas vozes da população (Barbosa, 2009), o resultado é a veiculação maciça exclusivamente de ideologias de camadas dominantes da sociedade, que, naturalmente, buscam naturalizar e institucionalizar sua própria liderança, tanto por meio de sua afirmação quanto por meio da alienação das camadas dominadas. Sendo nossa sociedade capitalista, machista e racista, dentre outros predicativos, então o discurso mainstream veiculado por uma mídia não democrática como a nossa refletirá essas estruturas de poder – inclusive como estratégia de manutenção da supremacia masculina burguesa. Consequente e logicamente, uma das formas de se combater a reprodução da cultura do estupro é justamente a ocupação desses espaços: a democratização das mídias (DOS SANTOS, 2009); porque, com isso, a tendência é a criação e a reprodução de discursos heterogêneos que busquem retratar, representar e dar voz de fato à realidade e aos discursos de diversos segmentos sociais (RODRIGUES, 2009), e que não simplesmente intencionem a perpetuação de um poder.
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