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Eva e a Maça - Bulimia e o Relacionamento Afetivo-Familiar na COVID-19
Author(s) -
Andreia da Fonseca Araujo,
Rosa Maria Frugoli da Silva,
Miria Benincasa
Publication year - 2021
Language(s) - Portuguese
Resource type - Conference proceedings
DOI - 10.54265/jycd1077
Subject(s) - humanities , philosophy , psychology
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001 e tem como tema o Eva e a Maça – Bulimia e o Relacionamento Afetivo-Familiar na COVID-19. Mitos são heranças da humanidade, estão presentes no inconsciente coletivo e possuem a função de ilustrar situações da vida pelas quais as pessoas já passaram, mostrando caminhos e possibilidades para as resoluções de conflitos. Possuem a função de integrar os conteúdos inconscientes à consciência e movimentar a energia psíquica. Pelos mitos e suas imagens míticas, adentramos o mais profundo de nossa psique, acessando conteúdos e ressignificando-os. O objetivo deste estudo foi compreender de que modo os relacionamentos afetivos-familiares influenciam no desenvolvimento de bulimia. Trata-se de um relato de experiência, utilizando-se de 4 prontuários de pacientes mulheres, em psicoterapia, com idade entre 32 e 45 anos, no período de maio a dezembro de 2020, em consultório particular de uma cidade grande do estado de São Paulo. Os documentos investigados foram os definidos pelo Conselho Federal de Psicologia como imprescindíveis para o acompanhamento psicoterapêutico e, por se tratar de relato de experiência, não foi submetido ao comitê de ética, embora as participantes tenham assinado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para a elaboração deste trabalho. As intervenções realizadas ocorreram em 4 sessões, utilizando-se do recurso de contação de histórias, a partir da leitura do Mito da Criação - Adão e Eva, em que Eva come da maçã e é punida por ter comido do fruto proibido. Após a leitura foi solicitado a cada paciente que relatasse o sentimento mobilizado sobre o mito e a sua vida. Por meio da perspectiva de análise junguiana houve a vinculação do mito com as expressões de afetividades naquelas situações, o que promoveu discussões e reflexões dos sentimentos revelados sobre o desejo pelo alimento e necessidade de tirá-lo do corpo, como algo proibido, maléfico. Pelos registros presentes em suas falas, foi possível identificar conteúdos semelhantes de queixa de relacionamento afetivo-familiar insatisfatório. As pacientes expuseram que havia um desejo de se livrar de algo que lhes fazia mal ao vomitarem e, duas delas, concluíram que esse algo poderia ser o tipo de afeto que recebiam. Acrescentaram que na pandemia perceberam um aumento significativo na quantidade de vezes que se alimentavam e vomitavam. Por meio da Análise de Conteúdo identificou-se as seguintes categorias presentes em suas falas: a) relacionamento familiar opressor, b) distanciamento afetivo entre os membros da família, c) sentimento de inadequação, insegura e insuficiência para o outro. Diante das discussões alcançadas sobre essas categorias identificou-se que estas pacientes se inseriam em contextos nos quais os relacionamentos no meio familiar eram conflituosos, causando sofrimento significativo, sendo o vômito uma das formas de se livrarem desses conflitos. Nessa perspectiva, evidenciou-se que o afeto estava ligado a alimentação, de maneira insatisfatória, interferindo diretamente na saúde, inclusive mental destas pacientes. PALAVRAS-CHAVE: bulimia, vômito, desafeto, distanciamento, exclusão

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