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TRADUTORES COMO ATORES E MÁGICOS
Author(s) -
Dirce Waltrick do Amarante
Publication year - 2020
Publication title -
revista x
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 1980-0614
DOI - 10.5380/rvx.v15i6.76788
Subject(s) - humanities , philosophy
Comparo o tradutor ao encenador, mais especificamente ao ator, valendo-me da definição de Tadeusz Kantor para quem “o ator é um ‘jogador’ que joga com o texto, se distancia dele, aproxima-se dele, o abandona e o retoma, tira-lhe todo caráter anedótico para revelá-lo em sua abstração concreta. É um jogador que não sublinha a convenção do jogo, mas afirma com força sua realidade de jogador, tal como o saltimbanco ou o clown na arena do circo” (KANTOR, 2008, p. 37). A propósito do ator, lembra Kantor que, se ele “imita uma ação se coloca forçosamente acima dela. O ator que a executa realmente se coloca em relação a ela em posição de igualdade. É assim que se modifica a hierarquia fundamental: objeto-ator, ação-ator” (KANTOR, 2008, p. 37). A ideia do teórico do teatro polonês parece dialogar com o conceito de tradução ou transcriação de Haroldo de Campos, que se fundamenta em parte nas ideias do alemão Wolfgang Iser. Segundo Campos, é preciso desmistificar “a ‘ideologia da fidelidade’, a ideia servil da tradução-cópia” (TÁPIA; NÓBREGA, 2013, p. 120). É necessário pensar “a própria tradução enquanto ficção”. Haroldo vale-se de um ensaio de Iser – “Os atos de fingir ou o que é fictício no texto ficcional” – para descrever e reforçar “uma ‘relação triádica’ que se estabelece entre o real, o fictício e o imaginário” na tradução (TÁPIA; NÓRBEGA, 2013, p. 121).

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