
O PROCESSO DE TERRITORIALIZAÇÃO E A ATENÇÃO À SAÚDE NO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA
Author(s) -
Melissa dos Reis P. Mafra,
Maria Marta Nolasco Chaves
Publication year - 2004
Publication title -
família, saúde e desenvolvimento
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 1517-6533
DOI - 10.5380/fsd.v6i2.8065
Subject(s) - humanities , philosophy
Considerando que o trabalho junto ao Programa Saúde da Família (PSF) deve levar em conta, em primeiro lugar, o conhecimento do território onde se vai atuar, o que significa ir além dos muros da Unidade Básica de Saúde (UBS) e que é fundamental conhecer o território que constitui a área de abrangência da Unidade de Saúde (US) para identificar como vivem, adoecem e morrem as pessoas, desenvolvemos o presente estudo com o objetivo de compreender o processo de territorialização e analisar as mudanças na assistência à saúde em uma Unidade de Saúde do município de Curitiba-PR no período de 2000 a agosto 2004. Para coleta de dados, utilizamos como instrumento a entrevista semi-estruturada e a observação estruturada. A entrevista foi desenvolvida com onze sujeitos que aceitaram participar assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, onde se garantiu o direito ao sigilo, o anonimato e o direito a desistência. Na análise dos dados percebemos que o processo de territorialização ocorreu na U.S., mas nem todos os sujeitos da pesquisa têm a clareza de que a contínua construção do processo deste é a base da discussão e da construção do modelo de assistência à saúde para aquela comunidade. O modelo de assistência prestado pela equipe ainda tem como foco a demanda espontânea no serviço, utilizando a visita domiciliar para prestar atendimento aos portadores de algum adoecimento ou com riscos à saúde identificados. Referem que as mudanças encontradas no período se relacionam ao serviço e que esse é um processo muito lento, sendo afetado pela falta de profissionais e pequeno tempo de permanência destes no serviço local, fazendo-nos refletir a respeito da qualificação dos profissionais para o desenvolvimento do Programa Saúde da Família e que estes necessitariam de uma maior vinculação no serviço para a construção e consolidação do novo modelo de atenção à saúde. Acreditamos que as mudanças que ocorreram no período do início da implantação do serviço tiveram como principal contribuinte a atuação dos profissionais com apoio da comunidade local. Concluímos que este estudo nos fez perceber que estamos longe de desenvolver o modelo de atenção à saúde proposto pelo Programa Saúde da Família. Para tal necessitaremos de muitas investigações, que como esta nos faça refletir sobre as mais diversas realidades de saúde e as ações que os serviços estão desenvolvendo.