
SÍNDROME DE CUSHING E COVID-19: UMA REVISÃO DE LITERATURA.
Author(s) -
Júlia Leitão Cabral,
Beatriz Diniz Oliveira,
Maria Luiza Paiva da Silva,
Marilya Oliveira Ellery,
Sílvia Fernandes Ribeiro da Silva
Publication year - 2021
Publication title -
anais do i congresso brasileiro de saúde pública on-line: uma abordagem multiprofissional
Language(s) - Portuguese
Resource type - Conference proceedings
DOI - 10.51161/rems/2968
Subject(s) - medicine , covid-19 , gynecology , microbiology and biotechnology , biology , disease , infectious disease (medical specialty)
Introdução: A Síndrome de Cushing (SC) é considerada uma doença complexa, caracterizada pelo excesso crônico de glicocorticoides (GC), podendo ser de origem endógena, devido a uma hiperprodução de cortisol pela glândula suprarrenal, ou exógena, decorrente da administração crônica de GC. Alguns dos efeitos metabólicos do GC incluem resistência insulínica, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e risco de acidente vascular cerebral. Diante disso, a SC torna-se uma comorbidade multifatorial para a Covid-19. Objetivos: Avaliar a susceptibilidade de pacientes com SC contraírem o Sars-CoV-2 e apresentarem complicações da Covid-19. Material e métodos: Este resumo foi elaborado com base em uma revisão literária de quatro artigos, publicados entre 2020 e 2021 e pesquisados nas bases de dados PubMed e BVS, cujos descritores foram “Cushing”, “Covid-19” e "corticosteróides". Resultados: Pacientes com SC apresentam um maior risco de infecção pelo Sars-CoV-2 devido à imunossupressão causada pela exposição excessiva ao GC, podendo acarretar aumento da secreção de citocinas pró-inflamatórias (IL-6 e TNF-alfa), com consequente dano tecidual decorrente de hiperinflamação. Além disso, o GC em excesso pode promover a diminuição do número de linfócitos e inibição da função dos linfócitos T auxiliares, favorecendo o desenvolvimento de infecção por microrganismo intracelular, como o Sars-CoV-2. Ademais, as comorbidades metabólicas associadas ao hipercortisolismo estão associadas com o elevado risco de mortalidade da Covid-19. Por exemplo, a obesidade visceral, por excesso de GC, potencializa o depósito de gordura no tecido adiposo que expressa receptores da enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2), facilitando, assim, a entrada do Sars-CoV-2 nas células adiposas pela ligação da sua proteína Spike ao receptor ECA-2. Vale ressaltar que o tratamento de pacientes com SC infectados pelo Sars-CoV-2 é desafiador, pois além de não ser recomendado o uso de GC como em pacientes normometabólicos, existe um alto risco de tromboembolismo. Conclusão: Pacientes com hipercortisolismo, e consequente deterioração imunológica, possuem alta susceptibilidade à infecção pelo Sars-CoV-2, podendo experienciar um quadro clínico de Covid grave e enfrentar dificuldades associadas ao tratamento com GC.