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O ESTIGMA DO PESO COMO GATILHO PARA O DESENVOLVIMENTO DE TRANSTORNO ALIMENTAR: RELATO DE UMA NUTRICIONISTA GORDA
Author(s) -
Josemaria de Medeiros Batista
Publication year - 2021
Publication title -
anais do i congresso brasileiro de saúde pública on-line: uma abordagem multiprofissional
Language(s) - Portuguese
Resource type - Conference proceedings
DOI - 10.51161/rems/2781
Subject(s) - humanities , body weight , psychology , philosophy , biology , endocrinology
Introdução: A obesidade é uma condição de etiologia multifatorial que envolve questões biológicas, econômicas, sociais, culturais e até políticas e caracteriza-se pelo acúmulo excessivo de gordura corporal no indivíduo. Assim sendo, é fundamental refletir sobre a obesidade de forma ampliada, englobando todos os fatores envolvidos no seu desenvolvimento e não apenas o consumo alimentar. Estudos apontam que certos grupos profissionais como atletas, bailarinas, modelos e nutricionistas, estão mais suscetíveis ao desenvolvimento de um transtorno alimentar devido à demanda por um corpo magro como condição para desenvolver seu trabalho e sinônimo de competência em detrimento às habilidades dos indivíduos. Objetivo: Relatar a experiência de uma nutricionista gorda e a associação do estigma do peso e o surgimento de transtornos alimentares. Material e métodos: Trata-se de um estudo descritivo, tipo relato de experiência, no qual J.M.B, 42 anos, sexo feminino, nutricionista, obesa(IMC 35,11Kg/m²), relata insatisfação corporal, desejo de emagrecer desde os 13 anos. Desde então, fez várias dietas restritivas. Refere uso inibidores de apetite e desenvolvimento de comer transtornado. Relata realização de procedimentos estéticos e cirurgias plásticas em busca de aceitação corporal. Decidiu cursar nutrição na expectativa de que o conhecimento da área, possibilitaria o emagrecimento definitivo. Resultados: Uma sequência de dietas restritivas, ocasionou o aumento de 35 kg, bem como episódios de comer transtornado, sensação de culpa, fracasso, falta de controle e aumento da insatisfação corporal. Além disso, J.M.B, relata que o medo de ter sua competência associada negativamente ao seu excesso de peso, afastou-lhe da nutrição clínica por medo de ter sua competência questionada, mesmo sentindo-se tecnicamente preparada. Conclusão: A pressão estética imposta ao nutricionista, associando magreza à competência profissional, pode ser um gatilho para o desenvolvimento de transtornos alimentares, bem como o para o afastamento destes profissionais do atendimento clínico sendo de extrema importância a discussão da obesidade para além do comer, considerando o nutricionista como o profissional que promove hábitos alimentares saudáveis e não como emagrecedor ou modelo a ser seguido.

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