
Manifestantes ou criminosos? A legitimação discursiva da tática Black Bloc como organização criminosa no jornalismo de revista
Author(s) -
Eduarda Toscani Gindri,
Marília Denardin Budó,
Caroline Vitor Loureiro,
Ivanderson Pedroso Leão
Publication year - 2016
Publication title -
universitas jus/universitas/jus
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 1982-8268
pISSN - 1519-9045
DOI - 10.5102/unijus.v27i2.4009
Subject(s) - humanities , philosophy , sociology
O presente artigo centra-se no tema da atribuição do status de criminoso aos movimentos e mobilizações sociais, por parte dos meios de comunicação de massa, focando no enquadramento da tática Black Bloc como tipo penal de “organização criminosa”. O trabalho investiga quais são as estratégias discursivas utilizadas pelos meio de comunicação que legitimam a atribuição aos manifestantes adeptos da tática do status de criminoso como integrantes de organizações criminosas. Para isso, partiu-se de uma revisão bibliográfica sobre os conceitos envolvidos, para então analisar os discursos das revistas, impressas e digitais, Veja, Época e Carta Capital sobre o tema. Concluiu-se que há agendamento da tática Black Bloc enquadrada como organização criminosa, porém, os meios de comunicação analisados confundem os tipos penais associativos. Além disso, há a omissão de que o tipo de organização criminosa tem origem para o combate ao crime organizado, preponderantemente em atividades de ordem econômica. Também se constatou que, apesar de ser uma categoria frustrada no âmbito jurídico, a organização criminosa é um tipo penal funcional para a política e para a construção de sentidos sobre criminalidade, reiterando o estereótipo do criminoso.