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Vamos comer em frente às telas? um estudo de caso do movimento de mukbang no Brasil
Author(s) -
Lucas De Almeida Siqueira,
Maína Ribeiro Pereira Castro
Publication year - 2021
Publication title -
programa de iniciação científica - pic/uniceub - relatórios de pesquisa
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 2595-4563
DOI - 10.5102/pic.n0.2019.7656
Subject(s) - humanities , physics , philosophy
A presente pesquisa consiste em um estudo de caso com pesquisa documental, de cunho qualitativo e quantitativo, com o objetivo de caracterizar o movimento de mukbang no Brasil por meio da análise de canais da plataforma Youtube. Os elementos coletados foram submetidos à análise de conteúdo pressuposta por Bardin (2010). Foram analisados cinco canais do Youtube. A seleção dos canais se deu a partir da pesquisa “mukbang brasil” na plataforma, onde encontrou-se doze canais. Destes doze canais foram selecionados cinco canais. As escolhas dos canais deram-se pelos critérios de visualização, relevância da plataforma, frequência de publicação de vídeos e quantidade de vídeos (maior que cinco). Além disto, os autores deveriam ser brasileiros residentes ou não no Brasil. Para o vídeo ser analisado este deveria constar no título, no subtítulo ou na descrição a menção explícita ao mukbang. O procedimento de coleta deu-se por meio da inserção da palavra chave "mukbang" na ferramenta de busca de cada canal selecionado. Foram selecionados 175 vídeos de um total de 2071. A seleção dos canais e dos vídeos ocorreu em janeiro de 2020, enquanto que a coleta de dados ocorreu entre janeiro e abril de 2020. Para a análise dos vídeos fora elaborada uma planilha software Microsoft Excel 2016. Em cada vídeo foram analisadas 8 categorias pré-estabelecidas: 1- Canal do Youtube analisado; 2- Título do vídeo; 3- Duração; 4- Tipo de preparação; 5- Quantidade de comida; 6- Local em que se realiza a refeição; 7- Presença de publicidade de alimentos/bebida; 8- Outras informações relevantes. Os canais visualizados tiveram em média 969.194 mil visualizações, enquanto que os vídeos tiveram em média duração de 13:17 min. Verificou-se que as refeições foram compostas por alimentos de alta densidade calórica, ultraprocessados, fast-foods. Mas também são compostas por combinações que utilizam comidas típicas brasileira como a feijoada e a tapioca. Além disto, estas refeições são consumidas em pequenos espaços de tempo, outra característica dos vídeos de mukbang no Brasil. Observou que os mukbangers brasileiros investem na criatividade, no carisma e na facilidade de falarem sobre suas vidas pessoais. Por isto, na maioria dos canais (80%), as refeições foram realizadas em ambientes domésticos e intimistas como quarto e sala de estar. A publicidade dos alimentos e bebidas, em todos os vídeos em que estava presente (80%), ocorreu voluntariamente pelos donos dos canais, ou seja, estes não recebiam para divulgar as marcas. Como conclusão tem-se que sob a perspectiva da comensalidade, o realizador do mukbang e o espectador vivenciam um cenário de aceitação, compreensão e pertencimento, criando assim um momento de sentimentos bons. Em contrapartida, a maneira como o mukbang apresenta-se atualmente no Brasil, por meio do consumo de uma refeição hipercalórica com predominância de fast-foods e exagerada, pode acabar estimulando hábitos não-saudáveis, assim como viabilizar e legitimar práticas compulsivas que envolvem a alimentação. Sendo assim, o mukbang surge como um fenômeno que instiga a reflexão sobre as concepções tradicionais de comensalidade e traz novas questões aos estudos sociais da alimentação e da própria ciência da nutrição.

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