
Ressonâncias do euclidiano consórcio entre ciência e arte no Grande Sertão rosiano
Author(s) -
Gregory Magalhães Costa
Publication year - 2017
Publication title -
revista de letras
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2179-5282
pISSN - 0104-9992
DOI - 10.3895/rl.v18n23.3927
Subject(s) - philosophy , humanities , ilya , art , linguistics
O projeto literário de Euclides da Cunha consiste no consórcio entre ciência e arte, como ele próprio revelou a José Veríssimo. Essa união pressupõe vigor de imaginação poética estruturado sob um rigor crítico científico – como aquelas partículas quânticas que mutuamente se implicam, observadas por Ilya Prigogine[1]. Por isso, sua obra poética se assemelha a um ensaio sócio-histórico. Esse drama fáustico se expressa no Grande sertãode Guimarães Rosa na luta civilizatória de Zé Bebelo contra a primitiva dicção poética dos demais chefes jagunços, liderados por Joca Ramiro e Hermógenes. O canto poético de Riobaldo é eivado de reflexões filosóficas de rigor científico, como a própria disposição crítica de sua narração catártica, que visa curar sua dor de amor pela morte de Diadorim. Assim, pelo método da poética comparada, com embasamento crítico-literário e científico-filosófico, pretende-se demonstrar como Euclides cunha o consórcio entre ciência e arte e sua herança na obra de Rosa.[1] Ilya Prigogine nasceu em Moscou em 1917, foi professor da Universidade Livre de Bruxelas, recebeu o prêmio Nobel de Química por suas contribuições à termodinâmica do desequilíbrio, em particular a teoria das estruturas dissipativas e morreu em Bruxelas, Bélgica, em 2003.