
O Olhar da comunidade Cabo-verdiana em Lisboa sobre a saúde e a doença
Author(s) -
Bárbara Bäckström
Publication year - 2011
Publication title -
reciis
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 1981-6286
pISSN - 1981-6278
DOI - 10.3395/reciis.v5i4.556pt
Subject(s) - ethnic group , socioeconomic status , social representation , elite , focus group , social group , sociology , identity (music) , sociology of health and illness , qualitative research , social identity theory , gender studies , psychology , social psychology , demography , health care , anthropology , political science , population , politics , physics , acoustics , law
Este artigo tem por base um estudo no âmbito da sociologia da saúde, em particular da saúde dos imigrantes, relativamente às suas representações e práticas de saúde e de doença. Pretendeu-se estabelecer uma análise comparativa dos dados. O estudo tem como objectivo compreender a forma como os indivíduos percepcionam a saúde em geral e a sua saúde, em particular. Foi feita uma
análise comparativa de forma a realçar as semelhanças e as divergências de representações de saúde ou em caso de doença. O estudo foi efectuado junto de uma amostra de 40 cabo-verdianos da primeira geração residentes na região de Lisboa, dividida em diferentes subgrupos, para efeitos de análise: grupo social, geração e género. Optámos por uma metodologia qualitativa através realização de entrevistas semi-estruturadas para recolha da informação. Os resultados sugerem a existência de diferenças entre os grupos sociais relativamente às representações, na esfera da saúde e da doença.
Elas foram determinadas mais pelos factores socioeconómicos do que pelos aspectos culturais e de etnicidade. Mais do que a cultura e a etnicidade que se moldam às condições materiais de existência,
foi, neste estudo, o nível socioeconómico a determinar as maiores diferenças e a interferir nas práticas de saúde e doença, de um grupo com uma cultura de base comum. Em geral, os indivíduos sobrevalorizaram a sua identidade étnica e a cultura de origem comum. Essas diferenças fizeram também sobressair dois tipos de visão: uma cosmopolita, mais articulada ao mundo e que se relaciona com as ideias expressas pelo grupo de elite e na segunda, uma visão existencial, mais ligada às condições materiais de existência e que corresponde às representações feitas pelo grupo popular. A pertença a grupos sociais diferentes, mas a uma mesma cultura e identidade, dá origem a
uma partilha do sentimento de pertença cultural, mas não a comportamentos e práticas idênticos.FC