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Da promoção da SAN à invisibilidade social: O trabalho dos artífices ambulantes na comida de rua no Brasil
Author(s) -
Gizane Ribeiro de Santana,
Lígia Amparo-Santos
Publication year - 2021
Publication title -
research, society and development
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 2525-3409
DOI - 10.33448/rsd-v10i2.12862
Subject(s) - humanities , art , sociology
O artigo analisa, a partir de uma etnografia desenvolvida no Brasil, como fazeres envoltos na preparação e comercialização da comida de rua, permeados pela Segurança Alimentar e Nutricional, resvalam na luta cotidiana dos ambulantes para garantir a saúde e sobrevivência familiar. O estudo ocorreu no Recôncavo da Bahia. A fase de campo durou sete meses, quando foram produzidas informações, utilizando técnicas como observação sistemática e participante e entrevistas com ambulantes. Fontes alternativas, como reportagens de sites e jornais locais, também compuseram dados de pesquisa. A análise do material empírico fundamentou-se em teóricos como Sennett e Antunes, para tecer compreensões sobre o fenômeno. Constatou-se que os ambulantes da comida de rua desenvolvem fazeres complexos, conciliando trabalho árduo, conhecimentos específicos, técnicas culinárias, habilidade artesanal e engajamento social de artífices, combinados a força produtiva familiar, que permeiam a elaboração da comida na perspectiva de buscar a garantia da SAN. Redes familiares constituídas, principalmente, por mulheres negras, pessoas idosas, entre outros corpos aparentemente excluídos pelo setor formal, que executam um trabalho de baixo rendimento monetário e com alta demanda sobre o tempo de vida, privando-lhes do adequado acesso à saúde e condições isonômicas de SAN. Esses ambulantes, engrossam um rol de trabalhadores invisibilizados, desprotegidos em termos de políticas públicas voltadas ao setor e submetidos a um processo de trabalho precarizado. Desvela-se a perpetuação de uma problemática global: famílias imergem na informalidade para sobreviver, constroem estratégias para adequar-se às normas e negociar o espaço público, contudo, promovem uma ‘patologização da vida’ para manter seus ‘empreendimentos’.

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