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Estado da arte da radioterapia estereotáxica para carcinoma do pulmão de não pequenas células – Experiência de uma instituição
Author(s) -
Catarina Travancinha,
Nelson Ferreira,
Raquel Barroso,
Susana Esteves,
Miguel Labareda,
João Fonseca,
Telma Antunes
Publication year - 2021
Publication title -
revista do grupo de estudos do cancro do pulmão
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2184-8084
pISSN - 1645-9466
DOI - 10.32932/gecp.2021.07.012
Subject(s) - medicine , gynecology
Introdução: A Radioterapia Estereotáxica Fraccionada (SBRT) é a principal alternativa à cirurgia para doentes com carcinoma de pulmão de células não pequenas (CPNPC) em estádio clínico I ou II que apresentem comorbilidades significativas que impeçam a ressecção segura ou para aqueles que recusem a cirurgia. Métodos: Foram analisados os doentes com CPNPC em estádio clínico I ou II tratados com SBRT na nossa instituição, entre Janeiro de 2015 e Dezembro de 2019, retrospectivamente. As características dos doentes, resultados relacionados com o tratamento e toxicidades foram analisados. As taxas de controlo e sobrevivência foram calculadas pelo método de Kaplan -Meier. As toxicidades aguda e tardia foram classificadas de acordo com o CTCAE v4.0. Resultados: Foram identificados 110 doentes, 78 homens e 32 mulheres, com uma idade mediana de 75,5 anos (50 -90 anos) e um status performance ECOG de 0 ou 1 em 73% desses doentes. Biópsia comprovada em 65% dos casos, dos quais 36% eram adenocarcinomas (ADC) e 21% carcinomas pavimento -celulares (CPC). 65% dos doentes foram estadiados como IA (T1N0), 33% como IB (T2aN0) e 2% como IIB (T3N0), todos estadiados clinicamente com PET -CT. A maioria dos tumores (70%) tinha localização periférica, e a mediana de tamanho era de 24.3mm. 48 Gy em 4 frações foi o esquema mais utilizado (70%), seguido de 50 Gy em 5 frações (17,3%). 110 doentes foram elegíveis para avaliação de recidiva. Com um follow‑up mediano de 53 meses (IC95% 42 a 57 meses), 32 doentes (29.1%) tiveram recidiva da doença, dos quais: 10% local, 7.3% regional e 22.7% à distância. O controlo local (CL) aos 2 e 5 anos foi de 91% e 85%, respectivamente. Ainda aos 2 e 5 anos, o controlo regional (CR) foi de 92% em ambos os casos, a sobrevivência livre de metástases (SLM) de 80% e 67% e a sobrevivência global (SG) de 75% e 45%, respectivamente. SG mediana foi de 51,3 meses. Nenhuma toxicidade de grau ≥3 foi relatada. Toxicidade tardia de grau 2 ocorreu em 26% dos doentes (11% pneumonite, 7% fadiga, 2% fractura de costela, 4% dor na parede torácica, 2% esofagite). Os factores de prognóstico correlacionados com melhor SG foram a idade inferior a 70 anos (p=0.03), o sexo feminino (p=0.005), a ausência de comorbilidades cardíacas e/ou pulmonares (p=0.03) e o bom performance status 0 -1 (p=0.001). Conclusão: Na nossa população de doentes com CPNPC em estádio inicial (I/II) tratados com SBRT, foi alcançado um controlo local e resultados de sobrevivência muito favoráveis, com óptimo perfil de toxicidade, resultados comparáveis com séries publicadas na literatura, reforçando assim o papel da SBRT como tratamento seguro e eficaz nestes doentes.

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