
A instrumentalização do ser, mesmo antes de o ser: análise da obra literária Para a Minha Irmã, de Jodi Picoult
Author(s) -
Isabel Silvestre
Publication year - 1969
Publication title -
rbb/rbb. revista brasileira de bioética
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 1984-1760
pISSN - 1808-6020
DOI - 10.26512/rbb.v8i1-4.7774
Subject(s) - humanities , physics , philosophy
A bioética, enquanto ética prática aplicada ao estudo das ciências da vida, é um saber transdisciplinar, que une numa mesma reflexão especialistas de várias áreas, incluindo a médica. E dentro da medicina, a procriação medicamente assistida surge como terreno fértil em questões éticas, às quais os profissionais de saúde, juristas, governos e população em geral estão cada vez mais atentos. A sensibilização global para estas questões surge por diversas vias, sendo a literatura a mais tradicional, e os meios de comunicação social, assim como o cinema, os mais populares. Este artigo pretende salientar a importância da literatura para a bioética, através da análise de uma obra literária específica: Para a Minha Irmã, de Jodi Picoult. Nesta obra de ficção é abordado o caso de uma criança nascida através do recurso ao diagnóstico genético pré-implantatório, para ser geneticamente compatível com uma irmã portadora de doença grave. No âmbito da narrativa, analisam- se as questões éticas, mas também médicas, familiares, sociais e até jurídicas que esta prática, autorizada pela lei vigente em Portugal, pode suscitar. Podemos concluir que a literatura é efectivamente um excelente meio de desenvolvimento da reflexão ética. Por outro lado, em áreas como a procriação medicamente assistida, o médico deve desenvolver competências éticas, sociais e humanas, que ultrapassam em muito os conhecimentos científicos e a capacidade técnica.