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Males que vêm dos deuses: esboço de uma antropologia da doença na Grécia Antiga
Author(s) -
Agatha Pitombo Bacelar
Publication year - 2021
Publication title -
codex : revista de estudos clássicos
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 2176-1779
DOI - 10.25187/codex.v9i1.38138
Subject(s) - physics , humanities , philosophy
Ancorada na materialidade do corpo, a elaboração sociocultural da doença é reveladora das antropologias nativas, da produção de modelos do humano no seio das culturas. Por mais que a irrupção de problemas biológicos tenha alcance universal, afetando humanos no mundo inteiro ao longo de todas as épocas, as maneiras de experimentá-los e de concebê-los, as práticas segundo as quais são enfrentados e as relações intersubjetivas em torno deles tecidas são construídas no interior de uma situação cultural e histórica bem específica. Dialogando com estudos de antropologia da doença, o presente artigo investiga as dinâmicas de sentido subjacentes às representações de doenças como forma de punição divina na Grécia antiga, sobretudo em Hesíodo e Homero. Constata-se que a atribuição da origem de doenças às divindades pode tanto se inscrever em uma vindicta específica quanto remeter ao caráter fortuito das doenças a que toda gente está suscetível. Contudo, ambos os sentidos não deixam de articular a ordem do corpo e a ordem social. Na medida em que o antropomorfismo divino grego faz coincidir em um único vocábulo, timé, a estima social humana e a divina, que se expressa em atos de culto, a doença pode remeter à justiça divina quer em uma dinâmica retributiva como punição, quer em uma dinâmica distributiva que garante a distinção ontológica entre mortais e imortais.

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