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Vanitas: a condenação da vaidade como elemento constituinte da representação da morte na lírica de Alphonsus de Guimaraens
Author(s) -
Grazzielle Forcato Martins
Publication year - 2019
Publication title -
brasiliana
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 2245-4373
DOI - 10.25160/bjbs.v7i1.109617
Subject(s) - humanities , art , philosophy
Este trabalho objetiva tecer considerações acerca da representação da vaidade na poesia de Alphonsus de Guimaraens, sobretudo no que tange a relação desta com a tradição do Memento mori, ou “lembra-te que morrerás”, que orientou as artes plásticas da baixa idade média e barroco tardio. Como motivo orientado pela máxima da permanência da morte evidenciada pelo memento mori, as pinturas denominadas vanitas ilustram a vaidade dos homens em sua preocupação exacerbada com as conquistas terrenas. A vanitas, alusão direta ao capítulo bíblico do Eclesiastes, é a variação do gênero artístico de natureza morta que obteve grande repercussão nos séculos XVI e XVII, e figura elementos centrais da vida terrena aliados a caveiras, compondo a visão crítica da vaidade dos homens diante da inexorabilidade da morte. Estes elementos estão associados à passagem do tempo pela presença de elementos orgânicos, como a deterioração de frutos, e de objetos simbólicos representativos das conquistas do homem, como o amarelamento de livros, o vidro quebrado, ampulhetas, mapas e armas. Embora a vanitas figure notadamente na baixa Idade Média, manifestações similares estendem-se até a modernidade, seja nas artes plásticas ou na literatura, e estão presentes na lírica de Alphonsus de Guimaraens. O poeta simbolista, em cuja lírica a morte é elemento frequente, imprime sobre os motivos tradicionais do memento mori olhar moderno, por meio do trabalho com o encadeamento de imagens e tendência à expressão sugestiva, o que confere à poesia alphonsina grande apelo plástico, bem como possibilita a convergência com outros motivos integrantes do memento mori, como é possível observar em poemas como “Ossa Mea”, que retratam a vaidade aliada à figura feminina fadada à perda da beleza e figurativa da própria morte, associando a temática da vaidade ao topos da morte e a donzela, variação do motivo da dança macabra, que similarmente integra o memento mori. Assim, por meio de análise, buscaremos expor a construção da vanitas na lírica de Alphonsus de Guimaraens, evidenciando seu caráter moderno e interpretação dos motivos tradicionais da representação da morte.

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