
PERTO DO CORAÇÃO DA ÁGUA VIVA
Author(s) -
Ayanne Priscilla Alves Sobral,
Lúcia Castello Branco
Publication year - 2021
Publication title -
fólio
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2176-4182
pISSN - 1808-3099
DOI - 10.22481/folio.v12i2.7433
Subject(s) - humanities , philosophy , art
Nesse ano de 2020, em que Clarice Lispector faria 100 anos, partimos de seu primeiro romance, Perto do coração selvagem, publicado em 1943. Neste romance, é possível pensar o feminino não como uma referência simétrica e complementar ao masculino, mas como um “mais além” do falo e do próprio masculino, já se delineando aí o que, para nós, na Literatura e na Psicanálise, é ainda uma novidade: o feminino de ninguém, que se abre a um outro campo, terceiro campo, terceira via, terceira margem do rio: ao terceiro sexo da paisagem. Neste artigo, o terceiro sexo é localizado sobretudo em Água viva, livro de 1973, em que A mulher, aquela que não existe, pode enfim ex-sistir como substantivo feminino de ninguém. Assim, entre as criaturas humanas, vegetais e animais, pudemos enfim nos aproximar do lugar de onde Clarice sempre escreveu: perto do coração da água viva.