
UMA POÉTICA DE ESCOMBROS: O MOTIVO DA RUÍNA E A MODERNA POESIA AUTOCONSCIENTE
Author(s) -
Fabiano Rodrigo da Silva Santos
Publication year - 2019
Publication title -
fólio
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2176-4182
pISSN - 1808-3099
DOI - 10.22481/folio.v11i1.5119
Subject(s) - humanities , philosophy , art
Estas considerações propõem uma leitura da relação entre melancolia, performance poética autoconsciente e plasmação do discurso sobre a história, sob perspectiva da permanência do motivo das ruínas na poesia lírica moderna, entrevista em “Ozymandias” (1818), de Percy Shelley; “Le Cygne” (Les fleurs du mal, 1857), de Charles Baudelaire e “Morte das casas de ouro preto” (Claro Enigma, 1951), de Carlos Drummond de Andrade. Tais obras demonstram que o sistema imagético da ruína encerra uma cosmovisão e uma concepção de poesia típicas da modernidade. Como cosmovisão, a ruína reconhece que a história é fenômeno refratário à pretensão à totalidade do discurso, como poética, postula que elipses e fragmentos podem triunfar sobre o veto que a insuficiência emite contra o poema.