
“Deixe-me entrar”, “deixe-me sair”: uma janela entre O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë e Vulgo Grace, de Margaret Atwood
Author(s) -
Natália Gonçalves de Souza Santos
Publication year - 2021
Publication title -
organon
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2238-8915
pISSN - 0102-6267
DOI - 10.22456/2238-8915.106400
Subject(s) - humanities , art
Este artigo propõe uma aproximação entre duas obras que podem ser alocadas dentro da tradição literária gótica: O morro dos ventos uivantes (1847), da autora inglesa Emily Brontë e Vulgo Grace (1996), da autora canadense Margaret Atwood. A partir da identificação de um diálogo intertextual, discute-se a presença da metáfora da janela em ambas as obras, compreendida como espécie de tópica literária que representa o caráter limiar das personagens, esmagadas por uma série de interditos. A janela também pode figurar como possibilidade de fuga, por vezes, concretizada apenas com o auxílio do sobrenatural. Argumenta-se que a presença dessa metáfora em romances de épocas distintas sugere tanto o necessário e produtivo processo de apropriação da herança literária, quanto a permanência de medos e tiranias do passado no presente, fazendo com que a narrativa gótica possa ser vista como espaço de resistência para mulheres.