
Tuberculomas cerebrais
Author(s) -
Benedicto Oscar Colli,
Nelson Martelli,
João Alberto Assirati Júnior,
Hélio Rubens Machado,
Leila Chimelli,
José Fernando de Castro Figueiredo
Publication year - 2017
Publication title -
jornal brasileiro de neurocirurgia
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2446-6786
pISSN - 0103-5118
DOI - 10.22290/jbnc.v4i2-3.105
Subject(s) - tuberculoma , medicine , gynecology , tuberculosis , pathology
A tuberculose do sistema nervoso central é uma doença encontrada em todo o mundo, principalmente nos países subdesenvolvidos. No final do século passado, a incidência de tuberculomas era alta entre as lesões expansivas intracranianas, mesmo em países desenvolvidos. Esta incidência caiu acentuadamente (de 30 para 3%) na metade deste século, devido à introdução da estreptomicina, e a tuberculose praticamente desapareceu nos países desenvolvidos nas décadas de 50 e 60. Posteriormente, casos esporádicos começaram a surgir, principalmente entre imigrantes. No Brasil, casos clínicos isolados de tuberculomas intracranianos têm sido descritos, mas eles constituem aproximadamente 5,5% dos processos expansivos intracranianos observados em necrópsias. Neste trabalho, foram analisadas retrospectivamente as evoluções clínicas de sete pacientes portadores de tuberculomas cerebrais atendidos no Serviço de Neurocirurgia do HCFMRP, no período de 1979 a 1991. O diagnóstico de tuberculoma cerebral foi efetuado com base nos exames neuroradiológicos (radiografia simples e tomografia computadorizada), associados a antecedentes de meningite tuberculosa ou tuberculose extraneural, em cinco pacientes (três confirmados com exame histopatológico) e em dois, através do exame histopatológico da peça cirúrgica. Os sinais e sintomas mais frequentemente observados foram os de hipertensão intracraniana e os de compressão/irritação do parênquima cerebral. Um paciente foi tratado apenas clinicamente com esquema tríplice (isoniazida, rifampicina e etambutol) e apresentou boa evolução. Três pacientes foram submetidos à exérese total ou subtotal da lesão e dois foram submetidos à exérese parcial da lesão e à DVP e um paciente foi submetido apenas à DVP. Para todos os pacientes, foi indicado tratamento com tuberculostáticos, embora um paciente não o tenha completado. Os três pacientes que foram submetidos à exérese total da lesão, um dos pacientes submetidos à exérese parcial da lesão e à DVP e o paciente submetido apenas à DVP apresentaram boa evolução, com regressão e/ou calcificação das lesões, com ou sem seqüelas neurológicas moderadas. O outro paciente submetido à ressecção parcial e à DVP evoluiu mal e faleceu. Para os pacientes com tuberculomas intracranianos, indicamos inicialmente o tratamento clínico; o tratamento cirúrgico é indicado quando há hidrocefalia com hipertensão intracraniana, quando a lesão exerce efeito de massa importante, quando não há resposta ao tratamento clínico ou quando há dúvida quanto ao diagnóstico.