Compostos de discurso direto no português do Brasil: interação fictiva no léxico
Author(s) -
José Carlos da Costa,
Luiz Fernando Matos Rocha
Publication year - 2018
Publication title -
diacrítica
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2183-9174
pISSN - 0870-8967
DOI - 10.21814/diacritica.43
Subject(s) - humanities , philosophy , sociology
O objetivo deste artigo é apresentar e discutir os padrões formais e exemplos de Compostos Nominais de Discurso Direto (CDDs) no português brasileiro, concebidos como um complexo lexical que se caracteriza por possuir um nome (N) ou sintagma nominal (SN) e um modificador em discurso direto fictivo, assim exemplificados: “aliança eu escolhi esperar”, “dia do Fico”, “boquinha de moranguinho assim me sujei com morango, sabe?’’ e “maquiadoro” (adoro + maquiagem). Fundamentamos nossas reflexões com base em autores da Linguística Cognitiva, tais como Langacker (2008), Talmy (2000) e, principalmente, Pascual (2002, 2014, 2016). A partir das 44 ocorrências de CDDs em modalidade escrita de português brasileiro, extraídas da internet, arregimentaram-se quatro padrões formais, na seguinte ordem de frequência: (i) S(N) + preposição “de” + modificador de discurso direto; (ii) (S)N + modificador de discurso direto; (iii) S(N) + (preposição “de’’) + angulador “(tipo) assim” + discurso direto; e (iv) nome + morfema de discurso direto (em uma mesma palavra). Postula-se que os CDDs sejam uma forma de mesclagem léxico-discursiva em que a adjetivação de nomes se estrutura por meio do frame de com
versação, forjando dramaticidade no interior do composto, fato que promove efeitos como humor, caricatura, crítica e persuasão.
Palavras-chave: Compostos de Discurso Direto. Fictividade. Linguística Cognitiva.
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