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O diálogo dos mortos de Paul Valéry
Author(s) -
Brutus Abel Fratuce Pimentel
Publication year - 2012
Publication title -
remate de males
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2316-5758
pISSN - 0103-183X
DOI - 10.20396/remate.v32i2.8635897
Subject(s) - humanities , logos bible software , art , philosophy , theology
O objetivo deste artigo é analisar o diálogo Eupalinos, ou o Arquiteto, do poeta francês Paul Valéry (1871-1945). Evocando os diálogos de Platão, o Eupalinos é um diálogo dos mortos de grande intensidade poética, entre as errantes almas de Sócrates e de Fedro, que agora se encontram numa inesperada dimensão espiritual, extremamente movente e de difícil compreensão. Essas duas personagens dialogam sobre a arte e o fazer artístico, através das concepções do obscuro arquiteto-engenheiro Eupalinos, mas também sobre a tradicional ontologia platônica, segundo a qual a realidade é dividida em duas dimensões: a sensível-material, na qual as almas encarnadas habitam e distanciam-se da Verdade, e a inteligível-espiritual, na qual as almas desencarnadas habitam e aproximam-se da Verdade, das supostas matrizes de toda a realidade, das Ideias. Ideias que as almas de Sócrates e Fedro não encontram. Através desse jogo de inversão, Valéry executa, no Eupalinos, uma “crítica” às filosofias que “desvalorizam” a dimensão sensível-material em favor da inteligível-espiritual, uma “inversão do platonismo” e uma “apologia do corpo”.

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