z-logo
open-access-imgOpen Access
A infância clandestina em Clarice Lispector
Author(s) -
Fábio Scorsolini-Comin
Publication year - 2019
Publication title -
revista do sell
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 1983-3873
DOI - 10.18554/rs.v8i2.3936
Subject(s) - humanities , art , philosophy
O objetivo deste artigo é discutir os sentidos sobre a infância nos contos Felicidade clandestina e Cem anos de perdão, de Clarice Lispector. Nessas obras, por meio de duas protagonistas meninas, Clarice retoma a sua infância no Recife-PE. Ao seguir em seu processo de socialização e de constante aprendizagem, depara-se com as sanções sociais que lhe trazem as noções de certo-errado e de comportamento considerado adequado a uma criança. A partir desses contos, destaca-se a emergência de uma infância povoada por interditos que podem ser contornados pela ligação com a literatura, de modo que a fruição estética apresenta-se como fator protetivo diante de vivências que despertam a angústia, como a descoberta da perversidade da amiga, ou do prazer associado à transgressão marcada pelo roubo de rosas e pitangas. A infância clandestina em Clarice pode ser apreendida em enredos que envolvem o roubo e o erotismo vivenciados às escondidas, denunciando esta etapa como uma experiência que nem sempre pode ser revelada. A redenção das protagonistas, em ambos os contos, revela uma infância não apenas permeada pela fantasia, em que tudo é possível, mas também uma infância concreta e com reverberações no desenvolvimento da Clarice-menina e, posteriormente, da Clarice-mãe e da Clarice-escritora.

The content you want is available to Zendy users.

Already have an account? Click here to sign in.
Having issues? You can contact us here
Accelerating Research

Address

John Eccles House
Robert Robinson Avenue,
Oxford Science Park, Oxford
OX4 4GP, United Kingdom