
Perspectivas epistemológicas em psicoterapia (II): Psicoterapia, Dialéctica e Epistemologia, Psicoterapia como Processo Estratégico de Mudança Cognitiva
Author(s) -
António Branco Vasco
Publication year - 2014
Publication title -
psicologia
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
SCImago Journal Rank - 0.142
H-Index - 2
eISSN - 2183-2471
pISSN - 0874-2049
DOI - 10.17575/rpsicol.v6i3.814
Subject(s) - humanities , psychology , philosophy
Nesta segunda parte do artigo, o autor procede à descrição e análise do modelos psicoterapêuticos de L. Joyce-Moniz e de V. Guidano e G. Liotti, finalizando com a aclarificação das razões que justificam a aproximação destes modelos (juntamente com o de M. J. Mahoney, descrito na primeira parte do artigo) no contexto das relações entre a filosofia da ciência e a psicoterapia. Acentuam-se como fundamentos teóricos do modelo de Joyce-Moniz: (a) uma prática clínica baseada no «construtivismo psicogenético» de Piaget; (b) a «relação dialéctica entre a epistemologia do terapeuta e do cliente» - aumento do «estatuto epistémico» do cliente no sentido de alcançar um equilíbrio entre o conhecimento deste e do terapeuta e outro mais superficial e verbalizável; (c) as «características sociocognitivas do cliente» - tomada em consideração do nível estrutural e sociocognitivo alcançado pelo cliente; (d) as «estruturas e reestruturações cognitivas» - entendidas como sistemas dinâmicos de transformações a activar no sentido da adaptação; (e) a «descentração e compensação» - mecanismos considerados como responsáveis pelos processos de desenvolvimento e mudança. Relativamente ao modelo de Guidano e liotti salientam-se: (a) a «epistemologia evolucionista» - paralelos entre os processos de aquisição de conhecimentos e a evolução da espécie; (b) o «conhecimento tácito e explícito» - distinção entre um tipo de conhecimento mais profundo e não verbalizável; (c) a «organização do conhecimento individual» - recurso às ideias de Popper e Lakatos relativas à construção e desenvolvimento da ciência para explicar o desenvolvimento e organização do conhecimento individual; (d) a «estabilidade e mudança da organização cognitiva» - diferenças entre mudanças superficiais associadas ao conhecimento explícito e mudanças profundas associadas ao conhecimento tácito; (e) a psicoterapia como «processo estratégico de modificação cognitiva» - utilização gradual de tácitas terapêuticas com o objectivo de modificar as estruturas profundas associadas ao conhecimento tácito. Finaliza-se, salientando algumas semelhanças e diferença relativas aos modelos analisados.