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Meios de comunicação social e construção da realidade social: crescer com a violência televisiva em Portugal
Author(s) -
Maria Benedicta Monteiro
Publication year - 2014
Publication title -
psicologia
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2183-2471
pISSN - 0874-2049
DOI - 10.17575/rpsicol.v12i2.582
Subject(s) - humanities , psychology , philosophy
No âmbito da questão sobre os efeitos directos e indirectos da violência na TV nas crianças e nos jovens, são referidos dois estudos feitos em Portugal. O primeiro inquiriu 3928 sujeitos entre os 9 e os 17 anos acerca do tempo diário de exposição à TV e acerca dos seus heróis preferidos no ecrã. Os resultados mostraram: 1) que o tempo médio diário de exposição à TV durante a semana é de 2h 12m e que apenas 10% das crianças do 1º ciclo e 7% das do 2º ciclo vêem mais do que 4h diárias; 2) que os heróis preferidos pela maioria dos jovens telespectadores são heróis violentos pró-sociais – usam a violência instrumentalmente, tendo como objectivos últimos a reposição da ordem e da justiça violadas, e 3) são os espectadores mais assíduos (exposição superior a 4h diárias) que mais preferem este tipo de heróis, enquanto os espectadores menos assíduos (exposição inferior a 1/2h diária) preferem os heróis não violentos. O segundo estudo questionou 363 adolescentes, entre os 14 e os 18 anos, acerca das suas percepções de medo de vitimação, de locus de controlo e de confiança nos outros, bem como acerca da sua exposição diária à TV. Uma ANOVA efectuada sobre os valores dos sujeitos nos quatro factores de percepção da realidade social em que as questões se organizaram, tendo como variáveis independentes o tempo de exposição À TV e o sexo dos sujeitos, mostrou que estas duas variáveis interagiam significativamente para modularem o factor Medo-Controlo externo: com maior exposição `TV, as raparigas intensificam a crença na probabilidade de serem vítimas de violência e na percepção de controlabilidade externa nessas situações, enquanto os rapazes reduzem o medo de vitimação e aumentam a percepção de controlabilidade pessoal nessas mesmas situações. Os resultados são discutidos à luz da teoria da inculação de crenças (Gerbner et al., 1979) enquanto efeito directo à exposição elevada à TV.

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