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CARTOGRAFIA DA (IN)SEGURANÇA NAS CIDADES PEQUENAS: UMA EXPERIÊNCIA EM ARROIO DO PADRE/RS
Author(s) -
Luana Pavan Detoni
Publication year - 2018
Publication title -
pixo
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 2526-7310
DOI - 10.15210/pixo.v2i4.13094
Subject(s) - humanities , art
A segurança é um tema emergente na contemporaneidade e ecoa diretamente sobre questões da arquitetura e urbanismo. Nesse sentido, apresento uma reflexão sobre a segurança nas cidades pequenas, atrelada as experiências enquanto arquiteta-urbanista-cartógrafa no território de Arroio do Padre, localizado no Rio Grande do Sul. O município com 124 Km² de área e 2.730 habitantes, sendo desses apenas 454 considerados urbanos, apresenta uma condição peculiar de fronteira enclave com o município de Pelotas, do qual se emancipou recentemente em 1996.Inicialmente encantada com o imaginário de um território pequeno, fui atraída por supostos valores de segurança. Vistos através das noções de tranquilidade de um lugar pacato, da vigilância natural fruto das relações de vizinhança e da afinidade entre os espaços públicos e privados, dentre outras singularidades. De fato, poderia ser seduzida esteticamente por esta cidadezinha extremamente ajardinada, limpa e organizada, com casas que assinalavam uma qualidade arquitetônica, desde as antigas até as mais recentes. A cada encontro com as intervenções típicas das artes do saber, questionava sobre a presença das características dignas de uma literatura menor. O ato de criação a partir da reciclagem dos materiais observada nos cata-ventos, nas decorações de Natal, nas floreiras, nos balaços, e os cuidados com as outras formas de vida, as vegetações, desde a ação de aparar a grama, até a execução deum suporte para apoiar o crescimento das árvores. Poderiam ser essas falácias das características desterritorializantes, das micropolíticas e dos enunciados coletivos?Ás vezes faz-se necessário um fato esdrúxulo que cause o movimento do ritornelo, desterritorialização, reterritorialização, territorialização, algo que desacomode e seja capaz de romper com os imaginários pré-concebidos. Sob a sensação lúgubre de um dia chuvoso, em uma cidade que contém na área central um cemitério junto à igreja, o percurso passou a revelar fechamentos. A partir de duas abordagens hostis, a primeira a fim de investigar a identidade e procedência, a segunda em prol da defesa da população, e também através dos cães de guarda e pela materialização frequente de cercas e muros. Haveria relações de simulacro entre os modos de vida em Arroio do Padre e os modos de vida presente nos condomínios fechados? Ambos não contêm praças, nem transeuntes, quiçá os homens lentos, ordinários ou errantes. Não obstante, foi possível realizar uma cartográfica sensível, marquei aquele território, assim como ele me marcou. Essa experiência discorre sobre as questões da (in) segurança e escorre nas imagens apresentadas enquanto coletâneas. 

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