
Caracterização dos óbitos por malformações congênitas no sistema nervoso entre 2000 e 2017 no Brasil
Author(s) -
Mateus Sousa Cavacante,
Gláucia Galindo Silva,
Érica Santos Rocha,
Jardel Barbosa da Silva,
Thayná Rocha Coimbra,
Allan Cristhyan Alves Carvalho,
Bruno Luciano Carneiro Alves de Oliveira
Publication year - 2020
Publication title -
journal of management and primary health care
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 2179-6750
DOI - 10.14295/jmphc.v12.988
Subject(s) - medicine , gynecology
No Brasil, distúrbios genéticos são a segunda maior causa de mortalidade infantil, e os defeitos do sistema nervoso (SN) correspondem a 18,8% deles. Este estudo buscou caracterizar os óbitos por Malformações Congênitas no Sistema Nervoso – MCSN entre 2000 e 2017 no Brasil. Trata-se de estudo transversal com dados de óbitos por MCSN de 2000 a 2017. Foram analisadas as variáveis idade, sexo e cor/raça do óbito da criança, e a idade, escolaridade e tipo de parto da mãe, região do país, e quais as principais malformações. Diferenças estatísticas foram verificadas por meio do teste de Qui-quadrado de Pearson e consideradas significantes quando o p-valor <0,05. No período avaliado, foram registrados 29.641 óbitos por MCSN e o número de casos vem reduzindo. A hidrocefalia foi a causa mais frequente, seguida da microcefalia. Óbitos relacionados à microcefalia tiveram pico súbito de crescimento durante o período de epidemia do Zika. A maioria dos casos de óbitos por microcefalia nos anos analisados (86,0%) foram em crianças menores de um ano de idade. As variáveis sociodemográficas: sexo, raça e região demonstraram-se estatisticamente significantes (p-valor<0,05). A região Sudeste apresentou maior proporção (34,8%), seguido do Nordeste (30,4%). A maioria dos óbitos foi em meninas (52,1%), brancos (56,0%) e nasceram de parto cesáreo (64,1%). Predominaram casos em mães na faixa etária de 19 a 35 anos (74,6%), seguido de mães mais jovens (19 anos = 17,1%). Também houve predominância de casos quando a mãe possuía escolaridade de 4 a 11 anos (72,1%). Observou-se que ainda há grande ocorrência de óbitos por MCSN e estes ainda são maiores que outros países. Esses dados podem refletir a baixa adesão ao pré-natal e cuidados gestacionais, assim como geram questões importantes sobre ao desenvolvimento infanto-juvenil no país.