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Quem tem medo de Euterpe? Para uma genealogia dos currículos de música em Portugal nos séculos XIX e XX
Author(s) -
Ana Luísa Paz
Publication year - 2022
Publication title -
historia de la educación/historia de la eduación
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2386-3846
pISSN - 0212-0267
DOI - 10.14201/hedu202140243259
Subject(s) - humanities , art , philosophy
A história do currículo tem trazido algumas contribuições no sentido de pensar a criança do futuro que o Estado, através das instituições escolares, deseja e rejeita. Neste sentido, seria importante instaurar uma discussão acerca de uma das disciplinas menos estudadas, a Educação Musical. Mas ao invés de articular esta criança em devir tendo em conta apenas a disciplina de Educação Musical contextualizando-a no currículo do ensino infantil, primário, secundário, a predo articular com um outro currículo, quase sempre considerado à parte, porque abrange também uma contraparte adulta. Refiro-me aos currículos vocacionais e profissionalizantes do Conservatório e da Escola Normal. Julgo, deste modo, ter aqui encontrado um enclave a partir do qual se poderá tentar compreender o poder de Euterpe e os modos como se criam tipos de pessoas com destinos sociais altamente diferenciados a partir de uma mesma tópica, neste caso, a música.Em Portugal, o Estado apodera-se do ensino vocacional de música em 1835. A partir da formação do Conservatório de Lisboa (1836), inaugura-se uma linha que persiste praticamente intocada até hoje. Paralelamente, foram sendo criadas outras formas de sensibilização para a arte musical, com diferentes tentativas de instalar a educação musical no ensino primário durante o século XIX. Finalmente, no final deste século, iniciaram-se as formações nas escolas normais, e, consequentemente, nas escolas primárias. No início do século XX, inicialmente apenas para raparigas, iniciou-se a experiência de educação musical no âmbito do ensino liceal. Ao contrário do que acontecia no Conservatório, não se ensinava a compreender ou produzir música, mas a cantar em coro. Durante o Estado Novo, esta política foi incentivada. Ainda em 1968, iniciou-se uma política de democratização que segue até aos dias de hoje e que passou por substituir o canto coral pela educação musical e por encontrar formas de alargar as formações vocacionais a mais e mais pessoas.Proponho assim uma análise crítico-genealógica que visa interrogar quem foi a criança de futuro desejada e rejeitada e qual o medo que se instalou nas sucessivas reformas curriculares que abrangeram a música.

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