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El Espacio Interfáctico: Chóra y Leiblichkeit según Marc Richir
Author(s) -
Davide Eugenio Daturi
Publication year - 2018
Publication title -
revista filosófica de coimbra
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 0872-0851
DOI - 10.14195/0872-0851_54_1
Subject(s) - humanities , philosophy
Marc Richir é, sem dúvida, um dos leitores mais profundos e atentos dos textos de Edmund Husserl. A capacidade deste autor para entrar em diálogo com o filósofo alemão, cujo valor, mas igualmente as limitações soube reconhecer, coloca‑o no centro do discurso filosófico da segunda metade do século XX e até hoje. O vigoroso caminho fenomenológico de Richir começa durante os anos 80, quando as obras do filósofo começam a tomar forma de um discurso denso e articulado em torno dos níveis arquitetónicos que estão atrás e por debaixo da experiência natural e intersubjetiva do mundo. De entre as possíveis objeções a Husserl, devemos reconhecer, segundo Richir, o paradoxo que gera o próprio conceito de fenómeno, ao qual o filósofo belga trata de tentar chegar mediante uma nova e mais radical forma de époché. Desde aí, abre‑se um horizonte de investigação novo, feito de uma fenomenalização considerada no seu aparecer instantâneo e intermitente, em nome do qual o filósofo deve estar disposto a renunciar à presença do eu constituinte enquanto condição da toda a experiência e conhecimento. Entre os temas que compõem o universo richiriano está aquele que se dirige à investigação dos conteúdos mínimos da experiência que se organizam antes da conceptualização. Retomando o conceito merleau‑pontyano de Wesen selvagem durante os anos 90, Richir coloca o espaço no centro do seu discurso e, em particular, a forma na qual este se encontra intimamente misturado com o tempo na constituição do mundo dos fenómenos. O modo como chegamos a introduzir‑nos no mundo como seres que sabem e conhecem não pode entender‑se sem as noções husserlianas de corpo vivido (Leib) e intersubjetividade. Richir falará, então, da matriz arcaica da chôra, a partir da qual, mediante um certo tipo peculiar de esquematismo, se gerará a primeira fenomenalização do mundo que é reflexo da relação originária entre mãe e filho. A Leiblichkeit será então o pinto de dissensão (écart), o lugar de um espaço transicional, interfático, que subjaz a toda a espacialização.

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