
NOS ESCOMBROS DO REAL A FICÇÃO COMO ESTRATÉGIA EVASIVA (NA PRÓPRIA FICÇÃO): MEMÓRIA, IMAGINAÇÃO E REALIDADE NO ROMANCE DISTÓPICO DE MARGARET ATWOOD THE HANDMAID’S TALE (1985)
Author(s) -
Ricardo Afonso Mangerona
Publication year - 2018
Publication title -
biblos
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
SCImago Journal Rank - 0.102
0eISSN - 2183-7139
pISSN - 0870-4112
DOI - 10.14195/0870-4112_3-4_3
Subject(s) - humanities , art , philosophy , physics
Analisando o percurso nocturno (nos sete capítulos “Noite”) da protagonista, pretende-se mostrar como nele opera um processo de reconstrução do real próximo da criação ficcional. O processo, com base, a um tempo, na imaginação e memória afectiva da heroína e em fragmentos da realidade factual, proporciona-lhe, até certo momento da narrativa, um mecanismo de defesa e abrigo (nocturno) perante a realidade decadente (diurna), mas acaba por se perverter, também ele, contagiado pela mesma decadência. Partimos, para essa análise, do conceito ricoeuriano de utopia, enquanto deformação compensatória da realidade, e do exemplo clássico de D. Quixote, sem, contudo, orientar a reflexão num estudo de natureza comparativa. Conclui-se com a utilidade do engenho na validação alegórica da narrativa distópica.