
AÇÕES AFIRMATIVAS
Author(s) -
Raquel Sá Mello Oliveira
Publication year - 2018
Publication title -
anais do ... seminário de iniciação científica/anais seminário de iniciação científica
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2595-0339
pISSN - 2175-8735
DOI - 10.13102/semic.v0i20.3266
Subject(s) - humanities , political science , art
É preciso falar sobre Afirmações Afirmativas, medidas voltadas para grupos discriminados e vitimados pela exclusão social. Considerando o cenário atual brasileiro, apesar da população negra e parda ser a maior do país, em relação à distribuição de renda, temos uma maior concentração das riquezas entre a população branca.. Segundo dados do IBGE, em 2014, o 1% mais rico do Brasil é formado de 79% de brancos e 17,4% negros. A história do povo negro no Brasil tem início em 1500 com a colonização, trazidos pelos europeus, forçados a trabalhar em regime de escravidão e não tinham direito a educação. Antes da criação da primeira universidade brasileira, o acesso às universidades era na Europa, logo só estudava quem tinha condições de ir ao exterior o que era um privilégio exclusivamente da elite branca. A abolição da escravatura ocorreu no ano de 1888, porém não garantiu aos negros melhoria de vida e sim, um trabalho minimamente assalariado, então os filhos de negros (ex escravos) continuavam sem acesso a educação. Mesmo mais de um século após a criação da Lei Áurea e vários movimentos sociais em prol da equidade social, o total de negros na universidade é menor que o de brancos. Dados de pesquisa realizada pelo IBGE em 2013 evidenciam essa diferença. Conforme reportagem publicada no site do jornal G1, “Em 2013, 40,7% dos negros de 18 a 24 estavam no ensino superior. Já entre o grupo de brancos da mesma idade, 69,4% estavam matriculados em cursos de graduação no ano passado.”. Na introdução do livro “Educação e ações afirmativas: entre a injustiça simbólica e a injustiça econômica”, o autor trás vários dados de diferentes fontes de pesquisa acerca do número de negros que vai diminuindo gradativamente enquanto o do branco vai aumentando desde o ensino básico, ao ensino superior. Ainda na introdução, ele diz:Todos os indicadores apresentados, em especial aqueles relativos ao ensino superior, indicam que a longa caminhada que um aluno faz desde que ingressa na sua primeira série do ensino fundamental até o aceso ao nível superior funciona como um grande filtro racial que privilegia os brancos e bloqueia os negros e pardos. (Pinto, 2003. p. 18)Um exemplo é o vestibular da Fuvest de 2002, os autodeclarados negros eram apenas 3,1% dos inscritos e destes 1,4% obtiveram aprovação. Já os brancos e pardos eram 77,5% e 11,4% respectivamente de inscritos, sendo que os aprovados foram 80,5% brancos e 7% pardos. No curso de Medicina, considerado de maior concorrência, o número de negros inscritos era 1,6% e 0,5% de aprovação e entres os pardos 7,9% inscritos e índice de aprovação de 4,5%. O sistema de cotas foi implantado nas universidades com o intuito de equalizar o número de brancos e negros, principalmente nos denominados cursos de elite – cursos com alta concorrência e de custo alto de manutenção/formação. O presente trabalho tem o intuito de apresentar elementos que subsidiem discussões sobre questão da equidade de raça dentro das universidades baianas e mostrar o quão é importante a implementação de ações afirmativas e de políticas de permanência. É importante ressaltar que as políticas de permanência são de suma importância pelo fato de, as pessoas que tem direito as políticas deacesso, geralmente não tem condições suficientes para se manter na universidade ao mesmo tempo que estudam (principalmente os cursos diurnos), logo através das ações de permanência – Restaurante universitário Subsidiado, Residência, Bolsas diversas vinculadas a projetos - as mesmas tem a oportunidade de se manter na Universidade, participando mais efetivamente da vida acadêmica.