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Arte Vida: Itinerários de arte indígena nas cidades contemporâneas
Author(s) -
Ana Elisa de Castro Freitas
Publication year - 2020
Publication title -
interseções revista de estudos interdisciplinares
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2317-1456
pISSN - 1517-6088
DOI - 10.12957/irei.2020.56793
Subject(s) - humanities , art
A presença indígena nas cidades é fenômeno próprio da gênese urbana nas Américas. Paradoxalmente, índio e cidade se apresentam como linhas de fuga que deslizam para direções diametralmente opostas no imaginário urbano colonial, evocando a ideia de corpos fora de lugar. Tal paradoxo tem origem em políticas coloniais-estatais indutoras de regimes de alienação, redução territorial e aldeamento indígena, motivando forças sociais de invisibilização, negação, marginalização e gentrificação, que incidem sistematicamente sobre os modos de vida indígena no urbano. Esse processo é reconfigurado pelas tendências de aceleração, virtualização e globalização das relações sociais nas cidades contemporâneas, exigindo um olhar que possibilite rever a cidade desde as perspectivas das subjetividades e alteridades que nela habitam. Neste artigo, proponho pensar a cidade contemporânea focalizando itinerários de arte indígena instalados e desinstalados cotidianamente por coletividades ameríndias em ruas, praças, florestas e galerias de arte, e seus desdobramentos sociopolíticos e ambientais. Tais instalações evocam ecologias desviantes dos padrões urbanos hegemônicos, marcados pelas retas e ângulos da planificação diretora das cidades, sendo compreendidas como emanações poéticas da vida ameríndia. O foco da análise revela, de um lado, itinerários de fabricação e circulação de formas tridimensionais de cipó trançado, deslocadas das florestas e instaladas nas ruas da cidade de Porto Alegre por coletividades Kaingang e, de outro, a ativação de circuitos de arte indígena contemporânea em cidades como Brasília, São Paulo, Londrina, Curitiba, Porto Alegre, Boa Vista, Belo Horizonte, e seus deslocamentos através de museus, universidades, ruas e redes sociais. Os fluxos de materiais e forças mobilizados pelos itinerários de arte indígena na cidade evocam uma trama rizomática, incidência da vida sobre tendências de redução, territorialização e gentrificação, poética que reivindica o acesso indígena à cidade e amplia o horizonte de possibilidades para o urbano na contemporaneidade.

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