
O arquiteto é um fingidor
Author(s) -
Daniele Vitale
Publication year - 2018
Publication title -
risco : revista de pesquisa em arquitetura e urbanismo
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 1984-4506
pISSN - 1679-3498
DOI - 10.11606/issn.1984-4506.v15i2p7-26
Subject(s) - humanities , art , philosophy
A arquitetura não pode ser uma linguagem privada; ela é condenada a ser uma recitação pública. É um tipo particular de recitação, porque os elementos sobre os quais o mundo construído se baseia perderam no tempo seu significado primitivo, seu fundamento mítico e simbólico. O mesmo é verdade para a arte de os compor. Do naufrágio da história até nós, recebemos sistemas de sinais suspensos, como se tivéssemos quase que operar com hieróglifos cuja decifração permanece incerta. É uma condição que é totalmente revelada quando a arquitetura se afasta de um destino específico e de uma definitiva utilidade, emostra-se “por si própria”, como um sistema: como nas cenas de teatros antigos, ou nas porte urbiche, ou em certos tipos de fachadas. A linguagem da arquitetura baseia-se nas regras de um jogo muito nobre. Fernando Pessoa, escrevendo, a cada vez fingia ser um escritor diferente no qual se equivalia e se inventava. Sustentava que o poeta é um fingidor. O destino do arquiteto é análogo. Também o arquiteto é um fingidor.