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Capacidade de Fornecimento de P e K do Adubo da Independência e seus Componentes em Cultivos Sucessivos em Pote (Potential Suply of P and K by the Independence Fertilizer and its Ingredients in Successive Greenhouse Plantings)
Author(s) -
kassia s r santos,
a ramos,
everardo v s b sampaio,
maria do socorro bezerra araujo
Publication year - 2012
Language(s) - Portuguese
DOI - 10.5935/rbgf.v4i5.286
* E-mail para correspondência: kassia.santos@rce.incra.gov.br (Santos, K. S. R.). Revista Brasileira de Geografia Física 05 (2011) 1082-1096 Santos, K. S. R.; Ramos, A. P. S.; Sampaio, E. V. S. B.; Araújo, M. S. B. 1083 1. Introdução A adição de adubos químicos na agricultura de sequeiro do semi-árido nordestino é bastante reduzida, devido à combinação do elevado risco de perda das colheitas, pela irregularidade das chuvas, com o alto custo dos adubos e o baixo poder aquisitivo dos agricultores (Menezes & Sampaio, 2000). O cultivo continuado por vários anos, sem adubação, leva à depleção de nutrientes do solo e redução das produtividades, notadamente em áreas de solos relativamente pobres. O Agreste Paraibano é uma região com grande proporção de solos arenosos e de baixa fertilidade (Sampaio & Salcedo, 1997; Menezes et al., 2002). Por outro lado, tem uma distribuição de chuvas um pouco mais regular que a maior parte do semi-árido, de forma que os agricultores plantam intensivamente suas pequenas propriedades. Culturas comerciais, como a batatinha e a erva-doce, são bastante usadas, freqüentemente adubadas com esterco bovino, caprino ou ovino. Adubação com esterco é uma prática milenar e reconhecidamente benéfica (Kiehl, 1985; Holanda, 1990; Malavolta et al., 2002). No entanto, a disponibilidade no semi-árido nordestino é limitada (Garrido et al., 2008). No Agreste Paraibano, com predominância de pequenas propriedades agrícolas, a produção de esterco é baixa. Assim, os agricultores dependem de suprimento de fora, irregular e, às vezes, muito caro. Além disso, a adubação com esterco não é perfeitamente equilibrada, sendo relativamente pobre em N (Kiehl, 1985; Holanda, 1990; Malavolta, 1989; Malavolta et al., 2002). Sua aplicação pode levar à imobilização temporária de N, um problema que pode ser agravado pela falta de chuvas. Por isto, os agricultores têm procurado alternativas ao seu uso ou, mais comumente, formas de complementar seu uso para maximizar a eficiência de um recurso escasso (AS-PTA, 2003; Silva et al., 2007a; Silva & Menezes, 2007). Uma destas alternativas é o Adubo da Independência, introduzido pela ONG Assessoria e Serviços a Projetos de Tecnologia Alternativa (AS-PTA), muito ativa no Agreste Paraibano. Ele foi rapidamente adotado por um grande número de agricultores, que se diz satisfeito com seu uso. No entanto, sua eficiência ainda não foi testada cientificamente. Mais importante, é que ele é constituído por 14 ingredientes, alguns caros e outros de difícil aquisição, e não há evidências de que todos eles sejam necessários. Por isto, o teste de diferentes combinações de ingredientes é essencial para a recomendação de formulações mais baratas e mais eficientes, na região. Este trabalho é um primeiro passo nesta direção, avaliando, em casa de vegetação, os efeitos das adições do Adubo da Independência, com sua composição completa, e de composições mais simples, em quatro cultivos consecutivos, Revista Brasileira de Geografia Física 05 (2011) 1082-1096 Santos, K. S. R.; Ramos, A. P. S.; Sampaio, E. V. S. B.; Araújo, M. S. B. 1084 usando o sorgo forrageiro como planta teste. 2. Material e Métodos O ensaio foi conduzido em casa de vegetação, no Departamento de Energia Nuclear, da Universidade Federal de Pernambuco, de novembro de 2005 a maio de 2006. Ele constou de 31 tratamentos, com quatro repetições, sendo um deles o Adubo da Independência, com sua composição completa (AIC) e, os outros, composições sem alguns dos ingredientes, até o limite da incorporação de um único ingrediente. Os 14 ingredientes do AIC foram: 1) 300 kg de terra argilosa de barranco; 2) 200 kg de vermicomposto ; 3) 200 kg de farelo de trigo, 4) 100 kg de esterco bovino; 5) 100 kg de calcário; 6) 100 kg de MB4; 7) 80 kg de pó de carvão; 8) 50 kg de farinha de ossos; 9) 10 kg de pó de telha; 10) 10 kg de fosfato natural; 11) 10 kg de potássio natural; 12) 10 kg de batata doce; 13) 3 L de mel de cana de açúcar; e 14) 200 g de fermento de pão. O MB4 é uma farinha de rochas composta de: 39,73 % de SiO2, 17,82 % de MgO, 7,10 % de Al2O3, 6,86 % de Fe2O3, 5,90 % de CaO, 1,48 % de Na2O, 0,84 % de K2O, 0,18 % de S, 0,075 % de P2O5, 0,074 % de Mn, 0,029 % de Cu, 0,029 % de Co e 0,03 % de Zn. A granulometria do MB-4 é: 2 % entre peneiras número 10 e 20; 10 % entre peneiras número 20 e 50 e 88 % menor que peneira número 50 (Barreto, 1998). O fosfato natural utilizado foi o Fosbahia com aproximadamente 25 % de P2O5. A rocha potássica foi uma biotita xisto proveniente da Paraíba, com 10 % de K2O. O calcário tinha 42,3 % de CaO e 7,4 % de MgO, com PN= 93,79 % e PRNT = 93,53 %. Os 31 tratamentos foram: 1) AIC; 2) AIC menos batata doce, mel e fermento de pão.; 3) AIC menos batata doce, mel, fermento de pão e terra de barranco; 4) AIC menos batata doce, mel, fermento de pão, terra de barranco e pó de carvão; 5) AIC menos batata doce, mel, fermento de pão, terra de barranco, pó de carvão e pó de telha; 6) AIC menos batata doce, mel, fermento de pão, terra de barranco, pó de carvão, pó de telha e farinha de ossos; 7) vermicomposto + esterco + calcário + MB-4 + fosfato + potássio; 8) vermicomposto + esterco + MB-4 + fosfato + potássio; 9) vermicomposto + esterco + MB-4 + fosfato; 10) vermicomposto + esterco + MB4; 11) esterco + MB-4 + fosfato + potássio; 12) esterco + MB-4; 13) esterco + fosfato; 14) esterco + potássio; 15) esterco; 16) vermicomposto + MB-4 + fosfato + potássio; 17) vermicomposto + MB4; 18) vermicomposto + fosfato; 19) vermicomposto + potássio; 20) vermicomposto; 21) MB-4 + fosfato + potássio; 22) MB-4; 23) fosfato; 24) potássio; 25) esterco + calcário; 26) vermicomposto + calcário: 27) calcário + MB-4 + fosfato + potássio; 28) calcário; 29) calcário + fosfato; 30) calcário + potássio; e 31) testemunha (solo sem adições). Os potes foram preenchidos, cada um, com 0,7 kg de solo, coletado na camada arável (0 a 20 cm) de uma área do Centro Agroecológico São Miguel, no município de Revista Brasileira de Geografia Física 05 (2011) 1082-1096 Santos, K. S. R.; Ramos, A. P. S.; Sampaio, E. V. S. B.; Araújo, M. S. B. 1085 Esperança, Paraíba. A quantidade coletada foi seca ao ar, destorroada, passada em peneira de 5 mm e misturada. O solo foi classificado, de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA, 1999), como Neossolo Regolítico. Uma amostra da quantidade coletada tinha as seguintes características químicas e físicas: N total = 532 mg kg -1 (Bremner & Mulvaney,1982); P e K, extraídos com Mehlich 1 e o P determinado por colorimetria (Murphy & Riley, 1962) e o K por fotometria de chama = 3,74 mg kg -1 e 63,7 mg kg -1 , respectivamente; pH (água 1: 2,5) = 6,5; densidade global = 1,39 g cm -3 ; densidade de partículas = 2,58 g cm -3 ; e classificação textural = franco arenosa. As determinações seguiram as recomendações da EMBRAPA (1997). As adições do material de cada tratamento foram feitas misturando-se a toda a massa de solo do pote, iniciando-se com uma porção menor e acrescentando-se aos poucos. A dose do Adubo da Independência (AIC), incorporada uma única vez, no início do experimento foi de 1,25 g pote -1 , equivalente a cerca de 5 t ha -1 . Os outros tratamentos tiveram doses equivalentes às suas quantidades no AIC. Em cada pote foram semeadas 10 sementes do sorgo forrageiro IPA467-4-2, fazendo-se o desbaste para 6 plantas por pote, 15 dias após o plantio. As plantas foram cultivadas por 47 dias, com adição diária de água destilada para manter a umidade próxima à capacidade de campo (pote). A cada colheita eram retiradas apenas as partes aéreas que foram secas em estufa a 60 oC, até alcançar peso constante, moídas em moinho Wiley e digeridas com mistura de ácido sulfúrico e água oxigenada (Bremner & Mulvaney, 1982 ). Os teores de P e K nos extratos foram analisados por colorimetria e por fotometria de chama, respectivamente (EMBRAPA, 1997).. O cultivo do sorgo foi repetido por mais três vezes consecutivas, seguindo-se os mesmos procedimentos, exceto a adição dos compostos correspondentes aos tratamentos, que só foram feitos no plantio inicial. Ao final do experimento foram coletadas amostras de solo para a determinação do pH, P e K extraíveis (EMBRAPA 1997). N, P e K do AIC, do esterco e do vermicomposto foram determinados após digestão com ácido sulfúrico e água oxigenada (Bremner & Mulvaney, 1982) e o C foi determinado segundo Snyder & Trofymow (1984). O N total foi analisado pelo método semi-micro Kjeldahl, o fósforo pela metodologia de Murphy & Riley (1962) e o potássio por fotometria de chama (EMBRAPA, 1997). O AIC apresentou as seguintes características: N = 3,33 g kg -1 ; P = 7,8 g kg -1 ; K = 11,75 g kg -1 ; e C = 103,8 g kg 1 . As do esterco foram: N = 10,33 g kg -1 ; P = 3,0 g kg -1 ; K = 49,07 g kg -1 ; e C= 148,5 g kg 1 . As do vermicomposto foram: N = g kg -1 ; P = 4,77g kg -1 ; K = 3,97 g kg -1 . Os resultados de massa seca e concentrações e conteúdos de P e de K de Revista Brasileira de Geografia Física 05 (2011) 1082-1096 Santos, K. S. R.; Ramos, A. P. S.; Sampaio, E. V. S. B.; Araújo, M. S. B. 1086 cada cultivo foram submetidos, isoladamente, a análise de variância com um delineamento experimental em blocos inteiramente casualizados, com 31 tratamentos e 4 repetições. Devido à grande quantidade e complexidade de tratamentos, as médias de grupos destes tratamentos que formavam conjuntos coerentes foram comparadas às demais médias pelo teste de F em contrastes ortogonais, aos níveis de 5 e 1 % de probabilidade usando o programa Statistica (Statsoft, 1995). Apenas os resultados significativos são apresentados. 3. Resultados e Discussão 3.1 Produção de massa seca nos quatro cultivos Os acréscimos na produção de massa seca das plantas, mesmo nos tratamentos que deram o melhor resultado, foram relativamente pequenos, em todos os quatro cultivos sucessivos (Figura 1). Enquanto na testemunha a produção acumulada dos quatro cultivos foi de 1,77 g vaso -1 , no tratamento com a melhor produção foi de

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