A Escolha de Agamemnôn: notas sobre uma tragédia de Ésquilo
Author(s) -
Rafael Faraco Benthien
Publication year - 2002
Publication title -
revista vernáculo
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2317-4021
pISSN - 1677-0196
DOI - 10.5380/rv.v1i5.18461
Subject(s) - philosophy , humanities , physics
Entrar em cantata com uma obra tao di stante de nos como a lragedia grega revela-se um desafio no minimo instigante. marcado pela sutil tarefa de pensar aquilo que ja foi pensado. E agindo assim, no dcsvelamento de um outro pensar, qualquer individuo tambem corre o risco de contemplar a si proprio. Tal como nos antigos ritos de iniciacao. o ato de ler o transporta para fora de seus limites. Quando encerra-se o periodo de isolamento, e hora de voltar para ,Issumir uma nova postura frente ao seu mundo. Para o leitor cont emporâneo. a tragedia grega pode assumir pelo menos duas fa cetas interessantes. Podemos congela -Ia atraves do estigma de um texto sombrio, onde escondem-se segredos indeeifraveis por In~s de cada verso; e, diferentemente desta primeira impressao, e tambem po ss ivel cultivar um sentimento maior de angustia, oriundo da percepcao de que e possivel entender(-nos em) tal texto, apenas faltam-nos as palavras certas. Como, por exemplo, devemos "rotular" a tragedia grega? Teatro, arte, literatura, ou algo mais? Passando por alguns maus bocados, o leitor teimoso e forcado a perceber que tai s manifestacoes ou categorias modernas sequer existiram entre os gregos antigos. Tudo nao passa de um equivoco, uma falha em varias perspectivas contemporâneas de analise. Essa angustia, ja outrora sentida por alguns, foi essencial a abertura de caminhos para que hoj e pudessemos nos aventurar a recuperar parte daquelas antigas experiencias presentes originalmente na tragedia. Aristoteles, Shakespeare, Racine, Goethe, Holderlin, Nietzsc he, entre outros, fizeram leituras canonicas destas obras e restauraram alguns de seus elementos primordiais atraves de novas criacoes. Nao obstante, eles nao criaram tragedias gregas. Trata-se de momentos diferentes, outras formas de estar no mundo. Mesmo assim a di scussao aqui apresentada dialoga com esta tradi cao, pois e na angustia da modernidade que o passado tragico toma-se passivel de ser procurado. Antes de cri stalizar O tex to tragico na sua diferenca, e mai s interessan te questionar o sentido desta altcridade para o homem contemporâneo. Dai a escolha tematica deste artigo: a acao dos personagens da lragedie:l. Algumas perguntas entao se impoem: o que significa agir hoje? E qual o limite e o sentido de tai s acocs? Trata-se de questoes cuja dimensao assusta, uma vez que hoje tanto se fala de uma
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