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Sobre o "Occupy Wall Street": antecedentes e uma tentativa de perspectiva
Author(s) -
Marco Cavalieri
Publication year - 2011
Publication title -
revista economia and tecnologia
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2238-4715
pISSN - 2238-1988
DOI - 10.5380/ret.v7i4.25927
Subject(s) - humanities , philosophy
Consideremos de inicio o destino da classica utopia liberal norte-americana da epoca da independencia. Entre a revolucao contra os ingleses e a ascensao dos EUA ao posto de primeira economia do mundo, o imaginario de um mundo de pequenos proprietarios rurais independentes, dos EUA formados pelos yeomen do sonho jeffersoniano, da nacao de poder descentralizado nas comunidades de iguais sofreu um duplo enterro. Primeiro na realidade e no pragmatismo politico, Hamilton, homem forte do governo Washington, teve a oportunidade de plantar fundo seu elitismo centralizador nas instituicoes de um pais que se formava. Tradicionalmente, a historiografia dos EUA mostra como esse processo foi em boa medida irreversivel, o que e ilustrado pelos governos hesitantes do principal inimigo politico de Hamilton, Thomas Jefferson, e, depois, pelo mandato do neojeffersoniano Andrew Jackson. Mais a frente, depois da hecatombe da Guerra Civil, o sonho liberal desmanchou-se mesmo como ideologia da luta do “homem comum” contra a dominacao de seu pais pelos poucos pertencentes a elite economica. O laissez-faire, nas ultimas decadas do seculo XIX, deixou de ser o ideal daquele mundo formado por pequenos proprietarios independentes e (quase) iguais para ser o principal argumento dos advogados das grandes riquezas concentradas da Gilded Age, das fortunas dos “capitaes de industria”, daqueles que ficariam famosos tambem pelo nome de “baroes ladroes”. E a partir desse tempo que podemos puxar um fio ligando o atual Occupy Wall Street aos movimentos de descontentes da virada do seculo XIX para o XX. Richard Hofstadter, em seu livro ganhador do premio Pulitzer, The Age of Reform, narrou com grande precisao o processo de troca de ideologia entre os defensores de uma nacao mais igual e os que falavam em nome dos grandes capitalistas. O surgimento das gigantescas corporacoes, dos famosos trustes e dos monopolios que o Sherman Act tentou sem sucesso combater colocou um novo e mais dificil desafio para os “americanos medios”. O homem comum, nesses novos tempos, tinha que confrontar suas aspiracoes politicas com o poder economico e dai politico avassalador de personagens como John D. Rockefeller, Andrew Carnegie e J. P. Morgan. Foi assim que reformistas, populistas e progressistas, muitas vezes de modo timido, como observou Hofstadter, comecaram a abandonar um dos seus valores mais caros, o individualismo. Recorreram entao ao Governo Federal para conter o poder desmedidamente

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