A ilusão da prosperidade
Author(s) -
Cássio Rolim
Publication year - 2006
Publication title -
revista economia and tecnologia
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2238-4715
pISSN - 2238-1988
DOI - 10.5380/ret.v2i2.29474
Subject(s) - political science
A proposta de adocao no estado do Parana de um salario minimo estadual entre 427,00 e 437,00 reais vem provocando um intenso debate. Uma das constatacoes para quem o acompanha e que os argumentos apresentados sao pobres em analises quantitativas e muitas vezes representam mais a manifestacao de um desejo que a dura realidade. Parecer existir a ilusao de se iniciar uma era de prosperidade por decreto. Alguns principios basicos de economia deixam de ser considerados e a discussao acaba sendo condicionada pelos efeitos politicos imediatos. Entre esses principios basicos um dos mais importantes e que no sistema economico ha uma interdependencia muito grande entre os mercados e dessa forma nada acontece sem interferir nas demais partes do sistema. Um outro principio fundamental e que a remuneracao dos fatores de producao segue de algum modo a sua produtividade. Assim sendo um aumento dessa remuneracao muito acima da produtividade vai implicar necessariamente na reducao relativa do uso desse fator. Tambem e verdadeiro que um aumento de renda pessoal vai significar maior poder de compra e consequentemente maior demanda de produtos. No entanto isso e verdadeiro para aqueles que mantem as suas fontes de renda, o que nao ocorre para os trabalhadores que vierem a perder seus empregos. Em sintese, a adocao de um salario minimo estadual nos niveis em que esta sendo proposto significa, pelo lado da oferta, um fortissimo choque de custos na economia. Pelo lado da demanda esse choque sera bem menor em decorrencia do elevado desemprego que ira acontecer. O estado perdera competitividade para os demais estados e tambem no resto do mundo, uma vez que seus custos de producao irao crescer significativamente, sem que outras medidas compensatorias com magnitudes equivalentes estejam a vista. O quadro descrito acima e facilmente visualizado por quem tenha uma nocao minima do funcionamento de uma economia de mercado. No entanto, o que nao e facil de ser feito e a quantificacao desses processos. E isso faz toda a diferenca entre a mera opiniao e a analise economica. Em economia tudo e interdependente, porem os processos nao ocorrem instantaneamente na vida real. O tempo considerado necessario para que todos os ajustes de um choque ocorram em toda a economia, a curto prazo, e normalmente considerado em torno de dois anos. Os calculos sao muito complexos e dificeis de serem feitos e as informacoes necessarias sao sempre insuficientes. Tudo isso leva a crer que o atual debate esta certamente se realizando com muito pouca informacao sobre as grandes implicacoes que essa medida tera sobre a vida de todos os paranaenses. Para contribuir com o debate foi feita uma tentativa de quantificacao do impacto do novo salario minimo estadual proposto, atraves da utilizacao de um modelo de equilibrio geral computavel -o Modelo Iguacuem construcao no Programa de PosGraduacao em Desenvolvimento Economico da UFPR. Os chamados Modelos de Equilibrio Geral Computaveis (MEGC) constituem, atualmente, o instrumental metodologico mais moderno e poderoso para a analise economica. A sua utilizacao esta se difundindo rapidamente em todo o mundo e tambem no Brasil. A razao desse sucesso esta na possibilidade aberta por esses modelos para o teste de teorias e, principalmente, para a analise e avaliacao de politicas economicas. A aplicacao desses modelos cobre praticamente todos os campos da teoria economica desde a macroeconomia ate a economia do meio-ambiente. Tambem no campo da politica economica a sua aplicacao e vasta podendo ser utilizado desde a avaliacao do impacto de um novo imposto ate a
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