Tempos e línguas em trânsito na escrita de Virginia Woolf
Author(s) -
Helena Martins
Publication year - 2017
Publication title -
revista letras
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2236-0999
pISSN - 0100-0888
DOI - 10.5380/rel.v95i0.48883
Subject(s) - humanities , philosophy , art
“Onde rir ao ler os gregos?”, provoca Virginia Woolf em um ensaio sugestivamente intitulado “On not knowing Greek”. O humor, ela nos diz ali, e uma das primeiras coisas que se perde na traducao: mais interessante do que esta cansada afirmacao, quase cliche, e a razao relativamente opaca com que Woolf a justifica: e que o humor se atrela sempre a um “senso do corpo” ( sense of the body ). Neste artigo, busco mostrar como o pensamento tradutorio que tem lugar neste pequeno ensaio participa de um interesse maior da escritora pela cena de traducao e pelo embate com linguas estrangeiras de um modo geral. As atividades conduzidas por Woolf em torno das linguas e da traducao, longe de configurarem um interesse difuso ou marginal, parecem ter sido instrumentos para a realizacao de seu declarado projeto artistico: inventar uma sintaxe poetica capaz de insurgencias intempestivas sobre a ordem hostil que reconhecia na lingua e na literatura do seu tempo. Interesso-me em especial por articular aquilo que Woolf diz e faz quanto ao trânsito das linguas com aquilo que diz e faz quanto ao trânsito dos tempos . Sustento que essa articulacao pode nos levar alem das afirmacoes conservadoras e relativamente desinteressantes que a escritora faz de modo explicito sobre a traducao, deixando entrever um pensamento-praxis no qual a atividade tradutoria surge como uma tensao entre temporalidades capaz de mobilizar e deslocar nao tanto visoes mas sensibilidades – “sensos do corpo”.
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