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Dialógos entre saberes (LEFF, E. Epistemologia ambiental. São Paulo: Cortez, 2001)
Author(s) -
Lúcia Helena de Oliveira Cunha
Publication year - 2001
Publication title -
desenvolvimento e meio ambiente
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
SCImago Journal Rank - 0.15
H-Index - 3
eISSN - 2176-9109
pISSN - 1518-952X
DOI - 10.5380/dma.v4i0.3041
Subject(s) - humanities , sociology , philosophy
A leitura de Epistemologia ambiental, de Enrique Leff, convida-nos a várias reflexões, diante da riqueza e densidade de questões que o autor aborda, neste contexto de crise socioambiental que marca as sociedades contemporâneas. Tais questões abrangem desde a articulação entre os distintos campos do conhecimento para apreensão da dinâmica sociedade-natureza, o processo de transformação do conhecimento até a construção do saber e da complexidade ambiental e o significado de uma nova racionalidade ambiental. Como observa Floriani (2001), outras questões relevantes, de ordem epistemológica e política são tematizadas no interior da obra, as quais exigiriam um debruçar mais detido para apreendê-las em profundidade. Parece perpassar esses temas, no entanto, a preocupação constante do autor em proceder à desconstrução do pensamento unitário, disciplinar, instrumental e reducionista que rege a lógica ocidental dominante – com nítidos reflexos no pensamento científico e filosófico –, em especial na forma de conceber o mundo natural e social. Propondo-se romper com perspectivas lineares, fragmentárias, coisificadoras e unidimensionais, calcadas em estruturas totalitárias, Leff preconiza um novo modelo de conhecimento, no qual a razão aberta, crítica e criativa, livre de certezas insustentáveis, faz-se presente. Transpondo a ambientalização do conhecimento – que apenas toma o ambiental uma dimensão do real –, o autor assinala a importância da construção de um saber ambiental amplo, comprometido não somente com as formas de objetivação do ser (e do conhecer), mas com a apropriação subjetiva da realidade, imprimindo novos sentidos civilizatórios ao mundo –, com o forjar de novas teorias, ideologias e utopias (novas ações sociais), para a reapropriação da natureza e novos relacionamentos entre os homens. A preocupação de Leff no campo epistêmico é rediscutir os nexos entre realidade e conhecimento, entre teoria e práxis, entre objetividade e subjetividade, entre ser e conhecer, entre saber formal e saberes patrimoniais, rompendo com as dicotomias tão características da ciência moderna dominante; no plano político, a proposta do autor é a de integrar esses pares aparentemente opostos, excludentes, em saberes geradores de uma nova utopia, de novas solidariedades e sentidos – de uma ordem social e ambiental. Dessa perspectiva, esse processo implica “a aventura na construção de novos sentidos do ser”, onde o inédito tem lugar. Devido à amplitude e multiplicidade de questões abrangidas em Epistemologia ambiental, fixo-me, aqui, em uma das proposições do autor que julgo revolucionária, do ponto de vista do conhecimento e da ação social: a idéia de que a construção de novos paradigmas envolve um amplo diálogo entre tradição e modernidade, ou seja, toma-se como pressuposto que uma nova relação entre o homem e a natureza, num intercruzamento entre várias temporalidades, implica um olhar sábio e simultâneo para frente e para trás. Ou, em outros termos, em seu projeto teórico-político, o autor propõe a busca de novas trilhas no fluxo da história, onde a tradição possa ser ressignificada.

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