CONHECIMENTOS DE DISCENTES DE ENFERMAGEM SOBRE VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Author(s) -
Júnia Aparecida Laia da Mata Fujita,
Tatiana Savoia Landini
Publication year - 2012
Publication title -
cogitare enfermagem
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
SCImago Journal Rank - 0.145
H-Index - 3
eISSN - 2176-9133
pISSN - 1414-8536
DOI - 10.5380/ce.v17i4.30392
Subject(s) - humanities , psychology , sociology , philosophy
A profissao da enfermagem, como fenomeno historico, e influenciada pelas variaveis sociais, politicas e economicas de cada epoca, estando sujeita as transformacoes em sua pratica no decorrer do tempo. Diante das diversas transformacoes sociais que vem ocorrendo ao longo dos ultimos anos no Brasil, do acelerado processo de modernizacao cientifica e tecnologica que estamos sujeitos, somos impulsionados a protagonizar novas formas de conhecimento. Tais mudancas exigem posicionamento na area de formacao profissional, que e desafiada a dar respostas, muitas vezes, as questoes que emergem no campo social. Dentre os problemas emergentes no âmbito da saude que tem exigido modificacoes na atuacao profissional, focaliza-se, neste trabalho, a violencia sexual contra criancas e adolescentes. Essa questao foi considerada, por muito tempo, apenas um problema social e nao de saude publica e, por isso, pouco tratada nos curriculos dos cursos de graduacao de Enfermagem. Nas ultimas decadas, a violencia ganhou maior visibilidade e se tornou um problema por diversos setores, dentre eles o da saude. Objetivou-se por meio de deste estudo: a) analisar se o projeto pedagogico curricular da graduacao de Enfermagem possibilita a formacao do aluno para lidar com a violencia sexual contra criancas e adolescentes na pratica profissional; b) investigar os conhecimentos dos discentes do ultimo semestre do curso de graduacao de Enfermagem de uma instituicao de ensino superior publica a respeito da violencia sexual contra criancas e adolescentes. Tratou-se de uma pesquisa de campo, descritiva, exploratoria, desenvolvida a partir de uma abordagem qualitativa. Selecionamos como cenario do estudo uma escola de Enfermagem que representa excelencia na formacao de enfermeiros no Brasil e que mantem seu curriculo em constante discussao e transformacao, de acordo com as demandas em saude. Esperava-se encontrar no projeto pedagogico curricular da instituicao tracos de mudancas na formacao profissional do enfermeiro para lidar com a violencia sexual contra criancas e adolescentes. Para a efetivacao da pesquisa, inicialmente, foi solicitada a direcao do curso de graduacao uma autorizacao, a qual foi concedida. O estudo tambem foi autorizado pelo Comite de Etica e Pesquisa da Universidade, sob o protocolo 0779/10. O grupo de sujeitos da pesquisa foi composto por dois docentes do curso de graduacao em Enfermagem que ministravam aulas nas disciplinas do Departamento de Pediatria e 26 discentes que estavam cursando o ultimo semestre da graduacao na instituicao selecionada, no ano de 2010. Foram criterios de inclusao: alunos do ultimo semestre da graduacao em Enfermagem pesquisado e professores enfermeiros ministrantes de aulas sobre a tematica da violencia contra criancas e adolescentes em disciplinas do Departamento de Pediatria da escola de enfermagem. A producao dos dados consistiu de tres etapas: analise do projeto pedagogico curricular do curso de graduacao em Enfermagem da instituicao participante do estudo; realizacao de entrevista com base no roteiro de perguntas discursivas aos professores que trabalham com a tematica da violencia contra criancas e adolescentes em disciplinas do Departamento de Pediatria; aplicacao de entrevista aos alunos utilizando-se de um roteiro sobre conhecimentos e crencas acerca da violencia sexual contra criancas e adolescentes. A coleta de dados foi realizada entre os meses de agosto e outubro do ano de 2010. Os participantes foram entrevistados de maneira confidencial e individual respeitando-se os preceitos eticos da Resolucao 196/96 do Conselho Nacional de Saude. Adotou-se a tecnica de ‘entrevista focalizada’ com roteiros constituidos de perguntas discursivas. O tratamento dos dados foi realizado com base na Analise de Conteudo e foram utilizados procedimentos sistematicos e objetivos para descrever o conteudo das mensagens, permitindo a producao de conhecimento a partir delas. Apos a analise do projeto pedagogico curricular vigente no periodo da pesquisa, constatou-se que nenhuma das disciplinas da matriz curricular possuia em seu conteudo programatico, especificamente, o tema da violencia sexual contra criancas e adolescentes. Apesar dessa tematica nao constar na matriz curricular, foram entrevistados os participantes da pesquisa a fim de verificar se em algum momento era abordado o assunto. A partir das entrevistas foram identificadas fragilidades na formacao do enfermeiro, a saber: o deficit no tratamento do tema da violencia e suas diversas expressoes na graduacao e a falta de estagios e praticas de campo na area de violencia sexual. Desse modo, o objetivo de formar os alunos para lidar com problemas de saude que emergem no campo social, como a violencia sexual, proposto pela escola de enfermagem, nao foi totalmente alcancado no ano de 2010. Os resultados obtidos a partir das entrevistas dos alunos representam os aspectos mais significativos em relacao aos conhecimentos dos mesmos sobre o tema e sobre a formacao do enfermeiro para lidar com esta questao. Nao foram identificadas evidencias de que os alunos possuiam formacao cientifica para abordar sobre a tematica da violencia, contudo, percebeu-se que eles tinham familiaridade com o assunto. Muitos discentes atribuiram a outros profissionais o papel de lidar com a violencia sexual contra criancas e adolescentes, principalmente, ao psicologo e assistente social. Em nenhuma das respostas os participantes citaram como papel do enfermeiro notificar os casos suspeitos ou confirmados de violencia sexual contra criancas ou adolescentes e demonstraram que desconheciam os procedimentos para a notificacao, revelando uma situacao preocupante que repercute no enfrentamento e manejo desse problema. Evidenciou-se a necessidade de delimitacao do papel do enfermeiro diante da violencia, por entidades representativas e pelo orgao que normatiza e regulamenta o exercicio profissional, o Conselho Federal de Enfermagem, e de implantacao de disciplinas e estagios na graduacao que favorecam a formacao profissional na area. Diante dos resultados, nao se pode negar que, atualmente, exista a necessidade de adequar o curriculo do curso de Enfermagem incluindo o tema da violencia.
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