“Desterro”, “Exílio Dourado”, “Esquecimento”: a experiência do ostracismo de dois intelectuais paraguaios em primeira pessoa (1950-1965)
Author(s) -
Marcela Cristina Quinteros
Publication year - 2018
Publication title -
revista eletrônica da anphlac
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 1679-1061
DOI - 10.46752/anphlac.24.2018.2953
Subject(s) - humanities , political science , philosophy
Apos o golpe de Estado de 29/01/1949 no Paraguai, o presidente deposto, Juan Natalicio Gonzalez, e um de seus ministros, Victor Morinigo, partiram para o exilio e mantiveram sua amizade pessoal, intelectual e politica por meio do contato epistolar. Ao longo dos quinze anos de trocas periodicas de missivas, ambos os intelectuais expuseram suas posicoes e sentimentos em relacao ao exilio e a cena politica paraguaia. O exame dessa correspondencia permitiu distinguir suas posicoes em relacao a tres momentos na vida de ambos (desterro/exilio dourado/esquecimento), a partir dos quais foi possivel constatar uma velha pratica da violencia politica no Paraguai, pela qual exilados politicos podiam ser nomeados representantes diplomaticos do Estado que os tinha expulsado. Esta forma de “exilio” – que nao se ajusta estritamente ao sentido classico do termo – foi sistematicamente aplicada durante a primeira decada do stronismo e permitia manter os adversarios “tolerados” longe das fronteiras nacionais, mas, ao mesmo tempo, garantia seu silencio. Atraves da analise da correspondencia entre os dois intelectuais, pretende-se identificar o processo mediante o qual ambos se inseriram no chamado “exilio dourado”, as consequencias politicas para eles depois de prolongados periodos fora do Paraguai e os mecanismos utilizados pelo governo paraguaio para manter ditos adversarios longe do pais.
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