Houston we have a problem
Author(s) -
Marco Jardim
Publication year - 2009
Publication title -
schweizerische ärztezeitung
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 1424-4004
pISSN - 0036-7486
DOI - 10.4414/saez.2009.14589
Subject(s) - computer science
Esta frase foi proferida por Jim Lovell em 1970, e mais tarde celebrizada no cinema por Tom Hanks no emblemático filme Apollo 13, para descrever um problema identificado pela tripulação durante uma expedição à lua. Seja qual for a perspetiva preferencial do leitor, a realidade ou a ficção, achamos que o que fica para a história foram os notáveis esforços realizados por todos os seus intervenientes, ao criar e encontrar soluções, com o objetivo de resolverem o problema e regressarem à Terra, numa viagem dramática e aparentemente impossível. Quando o tema em análise são as elevadas taxas de incidência e prevalência de lesões, parece-nos que, analogamente, esta frase sustenta a identificação de um dos maiores problemas relacionados com a prática da atividade desportiva. Curiosamente os primeiros dados epidemiológicos sobre lesões desportivas surgem no inicio dos anos 70 e desde então começou-se a perceber e a ser debatido o seu real impacto ao nível das populações desportivas e sociedade em geral. Ao contrário da tripulação da Apollo 13, que nos quatro dias que andou à deriva na lua encontrou soluções para atingir o seu objetivo (chegar a Terra sãos e salvos), durante todos estes anos, continua-se à procura de soluções efetivas para diminuir a elevada ocorrência de lesões e minimizar as suas consequências ao nível da saúde e desempenho desportivo dos atletas, dos custos económicos suportados pelas instituições desportivas governamentais e não governamentais, pelo Sistema Nacional de Saúde e restante Sociedade. Nesta nossa já longa viagem, parece-nos que a frase mais adequada seja “Houston...we still have a problem!” Pensamos que grande parte deste problema, a nível nacional e não só, se deve ao não reconhecimento das lesões relacionadas com a prática desportiva, como um problema prioritário de saúde pública. Esta ideia é justificada pela total inexistência de um sistema nacional de monitorização de lesões desportivas. Face a esta ausência como podemos objetivamente saber o número de lesões relacionadas com a atividade desportiva em Portugal? Como podemos determinar qual ou quais as estratégias de prevenção mais efetivas? Como se podem implementar medidas sustentadas para minimizar o impacto sócio-económico na população portuguesa? Neste sentido, consideramos ser fundamental a edificação de um sistema de monitorização de lesões desportivas a nível nacional, através da colaboração e participação dos principais intervenientes na área da saúde e do desporto. À imagem de modelos existentes a nível internacional, os sistemas de monitorização de lesões devem ser constituídos por uma estrutura flexível, de fácil acesso, que permita uma rápida recolha, análise e divulgação dos dados. Estes sistemas devem ainda considerar uma metodologia e uma terminologia uniformizada, pois apenas desta forma se conseguem comparar resultados entre Revista Portuguesa de Fisioterapia no Desporto | Volume 7 Número 1
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