DETERMINAÇÃO DA GRANULOMETRIA E ANÁLISE DAS CONDIÇÕES OPERACIONAIS DO PENEIRAMENTO DE PAINÇO (PANICUM MILIACEUM) / DETERMINATION OF GRANULOMETRY AND ANALYSIS OF OPERATIONAL CONDITIONS OF MILLET (PANICUM MILIACEUM) SIFTING
Author(s) -
Carolina Smaniotto Fronza,
Dinalva Schein,
Gabriela Aline Kroetz Bremm,
Naiara Jacinta Clerici,
Andréia Monique Lermen,
Júlia Cristina Diel,
Isaac dos Santos Nunes,
Raíssa Engroff Guimarães
Publication year - 2020
Publication title -
brazilian journal of development
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
ISSN - 2525-8761
DOI - 10.34117/bjdv6n9-005
Subject(s) - physics , humanities , panicum miliaceum , philosophy , biology , botany
The granulometric separation aims to separate and classify materials according to their diameters. A prominent method for carrying out the separation is sieving. When sieving, a set of screens is fed with a predetermined amount of mass of the material to be separated and classified. Under agitation, particulates tend to pass or retain in the sieves according to their diameter and the opening diameter of the sieves. Thus, the sieving technique is widely used to perform the separation and classification of particulates, in addition to being used to build material distribution models. Therefore, the present study aimed to carry out the separation of millet grains in different operational conditions and to determine a grain size distribution model for the millet grains. Evaluating the sieving, the grains are retained in the 10 Mesh sieve, in which about 90% of the grains accumulated, indicating particle sizes between 2 mm and 2,5 mm. In addiction, the model that best described the test was Gates, Gaudin e Schuhmann (GGS), for an operational condition of 5 minutes and agitation 9. Palavras-chave: Panicum miliaceum, granulometry, sifting, operational conditions. Brazilian Journal of Development Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 9, p.64088-64096 ,sep. 2020. ISSN 2525-8761 64090 1 INTRODUÇÃO Os processos de separação e classificação granulométrica visam separar materiais de acordo com seus diâmetros (Correia, 2010). Dentre as diversas técnicas de separação de partículas, como a elutriação e câmara de poeira, destaca-se o peneiramento. No peneiramento, um conjunto de peneiras, que variam decrescentemente quanto ao diâmetro de abertura, é alimentado com uma certa massa. Com agitação, a massa irá passar ou reter-se nas peneiras conforme seu tamanho (Cremasco, 2014). Essa técnica pode ser realizada a seco ou a úmido, adicionando-se água, para auxiliar a passagem pelas peneiras quando o material já possui certa umidade ou quando é muito aderente. A realização do peneiramento é de suma importância dentro das diversas áreas industriais, devido à necessidade de um material mais homogêneo e quando há a necessidade de separar as partículas pelo seu tamanho devido estas serem variáveis de controle de processos conseguintes (Correia, 2010). Como formas de melhorar o desempenho de processos industriais, além da evolução e criação de maquinários e também para o cálculo de equipamentos para operacionalização de particulados, faz-se necessário adquirir o conhecimento acerca das características físicas e a distribuição das partículas conforme suas faixas de tamanho, além de separá-las para as etapas de produção, ou até mesmo o produto final (Corrêa et al., 2016). Desse modo, a técnica de peneiramento pode ser empregada para separação e classificação de inúmeros sólidos esféricos e não esféricos como grãos, minérios e alimentos. Por exemplo, o painço (Panicum miliaceum), apresentado na Figura 1, é um grão de forma convexa, oval ou elíptica que possui as características de massa específica real ( _(P_a )) de 1,17 g cm-3, diâmetro médio de Sauter (D ̅_(P_S )) de 1,68 mm e esfericidade ( ) 0,83 (Pereira, 2010). Figura 1. Painço Vermelho (Fonte: as Autoras). Brazilian Journal of Development Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 9, p.64088-64096 ,sep. 2020. ISSN 2525-8761 64091 No Brasil, a cultura de painço não é muito difundida entre os agricultores, tanto que, segundo Nascimento (2014), até o ano de 2014 não eram disponibilizadas sementes certificadas no mercado brasileiro, tendo que o próprio agricultor preparar sua semente. Apesar disso, segundo Kalinová (2007), a sua composição nutricional apresenta parâmetros nutritivos iguais ou melhores que outros tipos de cereais, já que os mesmos são constituídos por proteínas de alta qualidade, além de serem ricos em minerais e vitaminas, podendo também ser comparados ao trigo, milho ou arroz quanto à quantidade de calorias que possuem. Desse modo, surge como uma nova oportunidade para exploração por parte da indústria alimentícia. No entanto, a escassez de informações acerca de suas propriedades físicas e de modelos que possam representar características físicas dos grãos, pode se tornar um empecilho à sua utilização. Nesse sentido, a técnica de peneiramento surge como uma opção para separação e classificação dos grãos de painço e também para a determinação da faixa granulométrica dos grãos, uma vez que o conhecimento sobre as características físicas dos mesmos ainda é parco. Desse modo, objetivou-se realizar o peneiramento dos grãos de painço do tipo vermelho para realizar a separação das sementes, determinar a faixa granulométrica em que as sementes se distribuem e avaliar as condições operacionais do conjunto de peneiras para a separação do painço, tendo como intuito o estudo e a análise da técnica de peneiramento de sólidos particulados para o Panicum miliaceum. 2 MATERIAL E MÉTODO Em agitador eletromagnético de peneiras, apresentado na Figura 2, executou-se o peneiramento dos grãos de painço vermelho. Realizaram-se ensaios de agitação em três velocidades (8, 9 e 10 rpm). Para cada velocidade realizou-se o processo em três diferentes tempos (5, 10 e 15 minutos), totalizando nove ensaios de peneiramento. Figura 2: Agitador eletromagnético de peneiras (Fonte: as Autoras). Brazilian Journal of Development Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 9, p.64088-64096 ,sep. 2020. ISSN 2525-8761 64092 Primeiramente, selecionou-se as peneiras utilizadas, sendo as mesmas de 6 a 20 Mesh. Em seguida, pesou-se em balança analítica cada uma das cinco peneiras utilizadas e o fundo, registrando-se a massa vazia das mesmas. Após, pesou-se 100 gramas de painço em um béquer e colocou-se os grãos sobre a primeira peneira. Acionou-se o agitador, realizando o peneiramento para cada velocidade no tempo preestabelecido. Passado o tempo de agitação, pesou-se novamente as peneiras e o fundo, registrando-se as massas com o painço, sendo a diferença entre a massa final menos a massa da peneira vazia, a massa retida de grãos, como na Equação 1. Após cada peneiramento, executou-se a limpeza das peneiras para a realização do próximo ensaio. sendo mr (g) a massa de grãos retida, mf (g) a massa final (massa da peneira + massa de grãos retidos) e mp (g) a massa da peneira vazia. Na sequência, fez-se a análise da operação nas diferentes agitações e a faixa granulométrica da melhor análise obtida. Por meio do software Excel, determinou-se a equação da distribuição granulométrica e o coeficiente de determinação (R2), para os modelos de distribuição de Rosin, Rammler e Bennet (RRB) e para o modelo de distribuição de Gates, Gaudin e Schuhmann (GGS). Além disso, plotou-se gráfico para o modelo de distribuição que melhor representou o peneiramento dos grãos de painço, utilizando o software matemático Origin 6.0. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Após a realização prática do experimento, pela Equação 1 calculou-se as massas de painço retidas em cada uma das peneiras, conforme o Quadro 1. As condições operacionais aplicadas são representadas por T5, T10 e T15 que correspondem aos tempos de 5, 10 e 15 minutos, respectivamente, e A8, A9 e A10, equivalem às agitações de 8, 9 e 10 rpm. Brazilian Journal of Development Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 9, p.64088-64096 ,sep. 2020. ISSN 2525-8761 64093 Quadro 1: Massas de painço retidas nas peneiras (Fonte: as Autoras). Massa retida Tempo/Agitação 6 Mesh 8 Mesh 10 Mesh 14 Mesh 20 Mesh Fundo T5/A8 0 0,03 93,81 5,45 0,68 0,03 T10/A8 0 0,05 91,41 7,68 0,83 0,03 T15/A8 0 0,06 88,29 10,79 0,79 0,07 T5/A9 0 0,07 92,18 7,15 0,56 0,04 T10/A9 0 0,05 89,64 9,54 0,73 0,04 T15/A9 0 0,05 87,88 11,03 0,97 0,07 T5/A10 0 0,05 92,72 6,72 0,48 0,03 T10/A10 0 0,03 87,94 11,36 0,63 0,04 T15/A10 0 0,04 89,87 9,67 0,36 0,06 Observou-se uma maior retenção na peneira com abertura de 10 Mesh, independente das condições operacionais utilizadas, tendo-se retenções superiores a 87 gramas para todos os tempos e agitações empregadas. Tal resultado evidencia que grande parte dos grãos possuem diâmetros entre 2 e 2,5 mm, uma vez que o diâmetro de abertura para a peneira superior, 8 Mesh, é de 2,5 mm e da peneira que reteve os grãos, 10 Mesh, possui diâmetro de abertura de 2 mm. As peneiras de 20 Mesh e de fundo concentraram farelos e pedaços de grãos quebrados, justificando as pequenas massas encontradas nas peneiras com diâmetro de abertura menores. Com os valores de massa retida, encontrou-se os modelos de distribuição granulométrica para cada uma das condições operacionais do peneiramento, tanto para o modelo RRB quanto para o GGS. Os resultados para os modelos GGS, Equação 2, e RRB, Equação 3, são apresentados no Quadro 2 e no Quadro 3, respectivamente. sendo xi a fração mássica; Di (mm) o diâmetro da partícula; k (mm) o diâmetro de 100% de passante; m o coeficiente angular da equação linear para GGS; D' (mm) a exponencial da divisão do coeficiente linear pelo coeficiente angular; n o coeficiente angular da equação linear para RRB. Brazilian Journal of Development Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 6, n. 9, p.64088-64096 ,sep. 2020. ISSN 2525-8761 64094 Quadro 2: Modelo de distribuição granulométrica GGS (Fonte: as Autoras). R m K T5 A8 ⁄ 0,9957 7,69 2855 T10 A8 ⁄ 0,9932 7,73 2855 T15 A8 ⁄ 0,9987 7,08 2855 T5 A9 ⁄ 0,9999 7,55 2855 T10 A9 ⁄ 0,9972 7,57 2855 T15 A9 ⁄ 0,9977 7,04 2855 T5 A10 ⁄ 0,9998 7,83 2855 T10 A10 ⁄ 0,9960 7,65 2855 T15 A10 ⁄ 0,9916 7,38 2855 Quadro 3: Modelo de distribuição granulométrica RRB (Fonte: as Autoras). R n D' T5 A8 ⁄ 0,9741 9,5141 2446,514 T10 A8 ⁄ 0,9849 9,5022 2417,554 T15 A8 ⁄ 0,9838 8,8358 2402,715 T5 A9 ⁄ 0,9795 9,2848 2451,815 T10 A9 ⁄ 0,9877 9,3402 2408,013 T15 A9 ⁄ 0,9855 8,8134 2387,597 T5 A10 ⁄ 0,9807 9,601 2453,141 T10 A10 ⁄ 0,9898 9,4844 2389,847 T15 A10 ⁄ 0,9713 9,1775 2435,687 Os valores representados por R2 indicam a linearidade do modelo de distribuição granulométrica. Quanto mais próximos à 1, mais representativo é o modelo e melhor ele se ajusta a amostra. Obser
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