Prevalência dos tipos de pés de praticantes de ballet clássico que utilizam sapatilhas de ponta
Author(s) -
Levy Aniceto Santana
Publication year - 2017
Publication title -
fisioterapia brasil
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2526-9747
pISSN - 1518-9740
DOI - 10.33233/fb.v12i6.948
Subject(s) - ballet , humanities , art , medicine , literature , dance
The classical ballet is an art and dance form that uses a set of postures to express emotions. Objective: To evaluate the prevalence of different types of feet in classical ballet dancers using pointe shoes. Methods: This is a cross-sectional study, whose sample consisted of 23 classical dancers of the Distrito Federal academies, with a mean age of 19.04 ± 4.12 years old and average ballet time of 7.08 ± 3.00 years. The instrument used for the study was the pedigraphy Salvapé® for the registration of footprints and feet were classified according to the method of Viladot. Data were analyzed using descriptive statistics and the chi-square test. Results and conclusion: Was observed higher prevalence of pes cavus in the sample, without relation between the time of ballet and pointe with the types of feet of the dancers. Key-words: plantar prints, cavus deformity, flatfoot. Recebido em 7 de janeiro de 2011; aceito em 9 de setembro de 2011. Endereço para correspondência: Levy Aniceto Santana, QS 07 Lote 1 Águas Claras, 72030-170 Brasília DF, Tel: (61) 3356-9141, E-mail: levy@ucb. br Introdução O ballet clássico é uma forma de dança e arte que utiliza um conjunto de posturas para expressar emoções e intenções do artista. É uma forma de dança tradicional e conservadora que desde 1760 trabalha com as mesmas posições, as quais obedecem a limites biomecânicos e a tradições rigorosas [1]. As posições básicas do ballet clássico são cinco e todas elas exigem uma rotação lateral dos membros inferiores para a execução dos movimentos. Essa rotação coloca tensões nas articulações do pé e do tornozelo [2]. As posições demipointe e pointe, respectivamente, meia ponta e ponta, deixam instáveis as articulações do pé e tornozelo exigindo o máximo da capacidade dos músculos e ligamentos. A ponta é a posição básica, que consiste em colocar o corpo sobre a ponta dos pés, sendo uma técnica avançada do ballet clássico praticada após alguns anos de treino e essencial para a elaboração dos movimentos e sequências próprias dessa dança [3]. Os treinamentos rigorosos do ballet clássico levam ao uso excessivo dos músculos e das articulações. Podem gerar alterações morfológicas, desequilíbrio e fraqueza muscular, rigidez, instabilidade, antepé varo e pé cavo ou má realização da técnica [4]. Portanto, para a correta colocação postural do ballet clássico, é necessário que o peso do corpo seja sustentado 407 Fisioterapia Brasil Volume 12 Número 6 novembro/dezembro de 2011 pelos pés e o arco medial do pé deve ser estimulado para cima, evitando a sobrecarga no hálux [2]. A prática dessa modalidade exige uma ampla e complexa movimentação dos pés, posições extremas e antianatômicas [3]. O movimento dos pés no ballet clássico cria um novo eixo de equilíbrio. A sapatilha de ponta deve dar estabilidade e sustentação ao corpo, não podendo criar obstáculo aos pés durante a dança. A posição dos dedos deve ser preservada (não comprimidos na sapatilha) mantendo a estrutura anatômica, formando uma continuidade dos pés, pernas, tronco e cabeça na elevação da ponta. Caso isso não ocorra, haverá um comprometimento dos músculos e ligamentos, o que vai alterar a estabilidade do arco plantar e, com isso, incapacitar os movimentos e impulsos [5]. Durante a prática do ballet são realizados exercícios de aquecimento, alongamento, flexibilidade, equilíbrio, saltos e giros com o uso de sapatilhas de meia-ponta ou de ponta. O objetivo é buscar o sincronismo e a técnica perfeita que resultam em uma excelente qualidade corporal [6]. Nos pés existem vários receptores cutâneos, exteroceptivos e proprioceptivos na face plantar, recebendo diferentes informações. Eles são o meio de união com o solo e o suporte final do sistema postural. Por isso, devem se adaptar às irregularidades vindas do organismo ou do meio externo [7]. Morfologicamente, o pé pode ser classificado em normal, cavo ou plano. São considerados normais aqueles que têm a largura da impressão plantar do mediopé correspondente a um terço da largura da impressão plantar do antepé. Planos são aqueles cuja impressão plantar corresponde ao mediopé com tamanho igual ou maior que o antepé. Uma diminuição da impressão plantar na parte média inferior ao terço do antepé ou com desaparecimento por completo equivale ao pé cavo [8]. O estudo podográfico pode ser feito por meio da impressão plantar utilizando diversos instrumentos entre os quais, a plantigrafia que consiste na impressão grafada em papel da sola dos pés com a descarga do peso corporal. A análise do registro plantar no papel utilizando o pedígrafo é um método simples, não invasivo, acessível, de baixo custo e viável. O método permite identificar as diversas patologias podálicas orientando o profissional na prescrição de órteses e palmilhas ortopédicas [7,9-11]. Alguns estudos já descreveram os efeitos do ballet clássico no pé. Simas e Melo [12] observaram que a bailarina tem a tendência de projetar o peso do corpo para o arco interno do pé, levando assim a possíveis dores ou alterações nos membros inferiores. Picon et al. [3] descreveram que a prática com sapatilhas de ponta aumenta a prevalência de lesões típicas, tais como joanete, calosidades, dedos em garra na posição pointe, e elevam os picos de pressão, principalmente sobre o primeiro e segundo metatarsos. Simões e Anjos [6] enfatizam que o uso da sapatilha de ponta associada a saltos e giros é o principal causador de lesões, uma vez que ela não protege os pés contra estresses físicos. Em revisão bibliográfica recente, foram encontrados apenas cinco estudos que fazem referência aos tipos de pés encontrados em bailarinas clássicas, entretanto com resultados contraditórios, pois Guimarães e Simas [2], Prati e Prati [13] e Duarte et al. [14] descreveram maior prevalência para pés planos enquanto Cunha e Rosas [15] verificaram maior ocorrência de pés cavos e Picon [16] maior predomínio de pés normais. O estudo do ballet clássico é importante, pois esse estilo de dança é muito frequente e praticado desde a infância, podendo produzir alterações morfológicas nos pés, contudo há controvérsias sobre esses efeitos. A identificação da maior prevalência dos tipos de pés possibilita ao fisioterapeuta aprimorar sua abordagem tanto de forma preventiva quanto terapêutica no atendimento desses pacientes. Para isso, este estudo objetivou verificar a ocorrência de tipos de pés em bailarinas clássicas que utilizam sapatilhas de ponta em academias do Distrito Federal.
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