z-logo
open-access-imgOpen Access
Trabalho, estresse e corpo
Author(s) -
Magno Conceição das Mercês,
Sueli Lago Pinheiro
Publication year - 2019
Publication title -
enfermagem brasil
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2526-9720
pISSN - 1678-2410
DOI - 10.33233/eb.v18i1.2815
Subject(s) - humanities , philosophy , sociology
Poderíamos afirmar, sem medo de cometer um erro grosseiro, que uma das questões muito discutidas atualmente, em vários ramos do conhecimento, seja a questão do estresse. Discussões à parte, acerca de seu conceito e de sua comprovação científica, podemos dizer que o senso comum costuma usar sempre a palavra estresse para referir-se a sensações de fadiga, mal humor e tantas outras sensações de natureza semelhante. E um consenso também é observado no que se refere às implicações que o estresse provoca no corpo, podemos aqui abrir um viés e considerar o corpo, não exclusivamente como um corpo biológico, mas os aspectos subjetivos que envolvem seu conceito [1].Segundo a literatura especialista no tema, ao nos referirmos ao estresse, este pode ser de natureza psicológica, emocional e social e que em excesso pode provocar adoecimento. Portanto, o corpo padece à medida que estamos “estressados”.No que concerne à atribuição de causas do acometimento do estresse, podemos afirmar que o trabalho lidera o ranking. Por razões já bem conhecidas, tais como jornadas excessivas, condições precárias, salários baixos entre outras tantas questões legadas pelo modelo econômico neoliberal que impõe como meta para a vida relações pautadas na disputa, em que o trabalho está para além de realização pessoal, estabelece, outrossim, relações mercadológicas de dominação de cunho econômico e político [2]. Aceitando a sua centralidade à vida, admitindo que a visão marxista seja correta, o trabalho distingue o homem dos demais animais, uma vez que o homem planeja, para posteriormente executar [3].Assim, o trabalho realiza uma relação peculiar, um pensamento, um planejamento, transforma-se em ação, que modifica, que interage com o mundo, com a realidade [4]. Uma ideia, um pensamento para se objetivar necessita de um corpo, não se pode experimentar uma sensação de estresse, por exemplo, sem um corpo que padeça, que experimente esse sofrimento. É o corpo o lugar de inscrição de nossas experiências, experiências de mundo e experiências de nós mesmos, enquanto singularidade, que reflete, que inventa, que crê, que sofre.É com o corpo que o homem pode habitar o mundo e o transforma por meio do trabalho, por vezes transgredindo seus limites. Então, através do trabalho, o indivíduo pode realizar-se mediante um conflito de sofrimento e prazer. Se nessa relação aparecem patologias, ou estados que possam conduzir a um desequilíbrio, saúde-doença, como o estresse, nos impõe buscar caminhos para sua compreensão e possíveis soluções, ou amenizações de suas causas. O estudo da corporeidade se afigura como basilar a essa tarefa. A perspectiva de uma experimentação de si, enquanto corpo que percebe o mundo, que vive na carne este mundo, pode conduzir a orientações acerca de autocontrole, relaxamento, motivação que possivelmente amenizem o estresse. Mas, não como algo que se contamine as exigências de mercado, que se submeta as dominações de poder e seus artifícios de manutenção, sejam nas relações macro ou micro. O que se impõe é a compreensão de si, não como um corpo que tenho, mas como um corpo que sou, um corpo vivo.E quem sabe assim, na medida em que se problematize esse olhar sobre o corpo, a rejeição a uma visão coisificada do homem, tão comum nas relações de trabalho, possa ser refutada, uma vez que as representações sociais de corpo possam se modificar e substituir a visão biologicista, dualista, hegemonicamente aceitas.

The content you want is available to Zendy users.

Already have an account? Click here to sign in.
Having issues? You can contact us here
Accelerating Research

Address

John Eccles House
Robert Robinson Avenue,
Oxford Science Park, Oxford
OX4 4GP, United Kingdom