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Enfermagem Obstétrica: um olhar brasileiro na humanização do nascimento e na esperança de dias melhores
Author(s) -
Zaida Aurora Sperli Geraldes Soler
Publication year - 2016
Publication title -
enfermagem brasil
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 2526-9720
pISSN - 1678-2410
DOI - 10.33233/eb.v15i2.167
Subject(s) - humanities , philosophy , nursing , sociology , medicine
Ao longo de 40 anos de vida profissional venho estudando e pesquisado as questoes que envolvem a humanizacao do nascimento e a atuacao do enfermeiro obstetra/obstetriz, como apresento a seguir [1]. No enfoque obstetrico, a denominacao Humanizacao foi adotada oficialmente no Brasil a partir de 2000, junto ao Programa de Humanizacao do Pre-Natal e Nascimento (PHPN) , com o sentido de Equidade/Cidadania.Fala-se mais na humanizacao do parto, o que e um equivoco, ja que o parto e um momento , envolve os periodos clinicos do parto. O nascimento e um processo, pois se relaciona a um preparo pre-concepcional ou no minimo referente a gestacao, trabalho de parto, parto, puerperio e atencao ao recem-nascido e lactente. Do ponto de vista do cuidado profissional em Obstetricia, ser “humano” significa ter emocoes, capacidade de se importar, de se colocar na situacao do outro, de agir com respeito e competencia (conhecimentos, habilidades, atitudes, valores e emocoes), segundo as melhores evidencias cientificas. Se nao ha humanizacao ha violencia obstetrica e sao muitas suas faces e apresentacoes, entre outras: negar informacoes ou fazer esclarecimentos que fogem a compreensao da mulher; o tratamento descortes, bruto, raivoso; a falta de interesse em preservar o pudor das parturientes; nao se atender de forma oportuna e eficaz as emergencias obstetricas; alterar o processo natural do parto com tecnicas de aceleracao, sem necessidade e consentimento informado da mulher; realizar cesarea, quando ha condicoes de parto normal; obrigar a mulher a parir deitada; criar obstaculos para o contato precoce mae/filho, sem causa medica justificavel. Privilegia-se na atencao obstetrica o pratico, o comodo, o mais rapido, mas nao o mais simples, de menor custo e mais seguro, camuflando-se a violencia nas normas, rotinas, preceitos e atitudes da equipe, com o interesse principal em facilitar o trabalho na instituicao [1-6]. A cesarea eletiva tem representado a violencia obstetrica mais evidente no Brasil, contribuindo para o seu aumento a medicalizacao do processo gravidez-parto; o pre-natal baseado na biomedicina; o medo da dor; experiencias anteriores vividas ou relatadas; a conveniencia da data marcada e um processo de negociacao/orientacao que se estabelece entre a gestante, seus familiares e o profissional medico [7]. A prematuridade e outra preocupacao relacionada aos indices abusivos de cesarianas, figurando entre os maiores problemas da obstetricia contemporânea, mesmo com os avancos terapeuticos e assistenciais [8]. Muitos estudos em todo o mundo ressaltam que e imprescindivel a formacao e atuacao de obstetrizes/enfermeiros obstetras para o alcance de maiores indices de partos normais e sua atuacao e muito valorizada em muitos paises, em especial nos mais desenvolvidos. No Brasil, entretanto, ao longo do tempo tais profissionais foram perdendo lugar e sao reveladas dificuldades de trabalho por confrontos e conflitos com a equipe medica [1]. Mesmo com as dificuldades enfrentadas, geralmente o enfermeiro obstetra tem participacao mais efetiva, buscando preservar a autonomia e protagonismo da mulher, oferecendo cuidado solidario, sem perder a qualidade da assistencia [1,9]. No Brasil e necessario maior reconhecimento das competencias, legitimidade, legalidade, autonomia e valorizacao na atuacao do enfermeiro obstetra na assistencia a mulher durante o ciclo gravidico-puerperal. As profissoes de parteira, obstetriz e enfermeira obstetrica sao diferenciadas quanto a origem de formacao profissional. Parteira e o titulo mais antigo, seguido de obstetriz, depois enfermeira-obstetrica e mais recentemente enfermeira (o) obstetra. O termo obstetra e usado como adjetivacao da titulacao de especialista na area, mostrando, nas diferentes denominacoes, as nuances na legislacao de ensino e de exercicio da profissao [10]. Chama a atencao o fato de associacoes medicas e muitos obstetras defenderem intervencoes que nao tem respaldo cientifico e dificultar o trabalho de enfermeiros obstetras na atencao a mulheres no decorrer do ciclo gravidico-puerperal, em especial no trabalho de parto e no parto de mulheres de baixo risco obstetrico. So e possivel entender as dificuldades colocadas pela equipe medica contra a atuacao de enfermeiros obstetras do ponto de vista corporativista, ja que as evidencias cientificas mundiais sao irrefutaveis quanto ao papel que assumem na humanizacao do nascimento e de maior resolucao do parto normal/natural [1,2]. Os confrontos e conflitos existentes na assistencia ao parto por enfermeiro obstetra envolvem aspectos de dominacao e poder por parte da equipe medica, mas e inquestionavel o maior enfoque de humanizacao do parto na sua assistencia por enfermeiro. Mesmo com respaldo legal e etico, a assistencia ao parto por enfermeiro obstetra e motivo de conflitos, em especial no que se refere aos limites de atuacao do enfermeiro e do medico. E importante colocar em pauta tais conflitos, identificando-os e discutindo-os, alem de investir no trabalho em equipe e dispor de protocolos claros, definindo limites de responsabilidades, segundo area profissional [1,8-20]. Que em 2016 alcancemos maiores indices de atuacao compartilhada do enfermeiro obstetra e de humanizacao do nascimento. Nosso caminhar tem sido muito lento, com poucos avancos e muitos recuos, mas nossa esperanca nao esmorece.

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