HOMO SACER E OS CIGANOS: O ANTICIGANISMO – REFLEXÕES SOBRE UMA VARIANTE ESSENCIAL E POR ISSO ESQUECIDA DO RACISMO MODERNO
Author(s) -
Larissa Costa Murad
Publication year - 2015
Publication title -
pegada - a revista da geografia do trabalho
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
eISSN - 1676-3025
pISSN - 1676-1871
DOI - 10.33026/peg.v16i1.3390
Subject(s) - humanities , traditional medicine , medicine , art
O livro Homo sacer e os ciganos: o anticiganismo – reflexões sobre uma variante essencial e por isso esquecida do racismo moderno, de Roswitha Scholz, aborda a importância da crítica às representações modernas acerca dos ciganos (vistos como avessos ao trabalho, sensuais, selvagens) para a sustentação de uma crítica do valor e do trabalho. Publicado em 2014 pela editora Antígona, o livro apresenta uma contribuição original tanto aos estudos sobre o racismo quanto à crítica do valor ao ressaltar o vínculo orgânico entre capital, ética do trabalho e a construção de estereótipos racista. A autora parte do pressuposto de que os ciganos são parte constitutiva da própria cultura ocidental moderna, sendo o desdém anticiganista característico da sociedade capitalista no seu todo, aparecendo inclusive nos meios que se dedicam à crítica do valor. O que está em questão é a centralidade do sujeito do trabalho fordista, masculino e branco nas análises críticas. Conforme o trabalho abstrato vai se tornando obsoleto no período de afirmação da condição pós-moderna, o sujeito do trabalho fordista se esfuma, tornando premente a crítica ao racismo e suas variantes como constitutivos do mecanismo de reprodução do valor. Nesse sentido, o constructo do homem branco como ser dominante pode ser observado inclusive no silêncio da crítica quanto à variante anticiganista do racismo. Para a crítica da “dissociação-valor”, conceito cunhado pela autora para definir o movimento do capital de dissociar momentos fundamentais da reprodução social que não estão subjugados pela lógica da mercadoria, é importante destacar o anticiganismo como variante específica do racismo no capitalismo e o papel do trabalho nesse sistema. As representações acerca dos ciganos aparecem na idealização romântica dos mesmos e no imperativo de sua exclusão. Ambos traduzem comportamentos, práticas racistas.
Accelerating Research
Robert Robinson Avenue,
Oxford Science Park, Oxford
OX4 4GP, United Kingdom
Address
John Eccles HouseRobert Robinson Avenue,
Oxford Science Park, Oxford
OX4 4GP, United Kingdom