A questão das primeiras ocupações humanas do território português, no quadro europeu e circum-mediterrânico
Author(s) -
Luís Raposo,
João Luís Cardoso
Publication year - 2000
Publication title -
estudos do quaternário / quaternary studies
Language(s) - Portuguese
Resource type - Journals
SCImago Journal Rank - 0.239
H-Index - 4
eISSN - 2182-8660
pISSN - 0874-0801
DOI - 10.30893/eq.v0i3.32
Subject(s) - humanities , philosophy , art
Desde os trabalhos de H. Breuil e G. Zbyszewski na decada de 1940, tendo por finalidade o reconhecimento e caracterizacao das formacoes quaternarias do litoral da Estremadura portuguesa e da parte vestibular do vale do Tejo (BREUIL & ZBYSZEWSK1, 1942, 1945), que se considerava a existencia de industrias arcaicas no litoral portugues, descritas como «Lusitanianas» (facies particular do Acheulense dominado por seixos afeicoados), cuja antiguidade poderia ascender ate o Siciliano (ca. 900 000 anos a 1 M.A). Durante os anos 70 e os inicios da decada seguinte, a retoma das investigacoes confirmou, e mesmo alargou, as observacoes precedentes. Falou-se, nessa altura, da existencia de um verdadeiro horizonte de seixos afeicoados («pebble-culture»)), culturalmente pre-acheulense c cronologicamente muito antigo, talvez calabriano (ca. 1,5 M. A.). Estas ideias foram postas em causa, e mesmo rejeitadas por trabalhos de sintese realizados na segunda metade da decada de 1980 e durante a decada seguinte. Segundo esta perspectiva, nem os sitios portugueses, nem as respectivas coleccoes, constituiriam provas validas da presenca humana antes do inicio do Plistocenico Medio, a qual, culturalmente, corresponderia ao Acheulense. Nesta comunicacao, os autores apresentam uma sistematizacao dos argumentos defendidos por ambas as partes, reconhecendo a existencia de observacoes pertinentes nos dois campos, as quais serao valorizadas numa perspectiva geografica, cronologica e cultural alargada, na qual deverao ser integradas. A este respeito, sublinha-se que a confirmacao recente de horizontes de ocupacao humana do Plistocenico Inferior no sul e centro da Peninsula Iberica constitui justificacao acrescida para o desenvolvimento dos trabalhos em Portugal, na procura de elementos estratigraficos, paleontologicos e culturais mais consistentes do que os actualmente disponiveis, conduzindo por outro lado a seleccao de sitios que justifiquem escavacoes arqueologicas, para alem dos locais mais promissores, de entre os ja conhecidos.
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